Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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A Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Pernambuco, realizou nessa segunda-feira, 11, o lançamento da publicação "Conflitos no Campo Brasil 2021". A apresentação dos dados ocorreu na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrou a programação da 9ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) organizada pela instituição de ensino.



A apresentação da publicação foi feita pelo agente pastoral da CPT Plácido Junior. Subsequente ao seu lançamento, foi realizado o debate “projeto popular de país: lutar por direitos”, que contou com a participação de Alexandre Pires, do Centro Sabiá e ASA Brasil, Rosa Amorim, do MST, e Erika Suruagy, docente da UFRPE e da Aduferpe.

Dados da violência no campo - Na ocasião, Plácido Junior destacou o crescimento da violência no campo, ressaltando o aumento de 75% nos assassinatos e mais de 1.000% nas mortes em consequência de conflitos no Brasil no ano de 2021. Além dos números contabilizados em âmbito nacional, foi dada ênfase especial aos dados coletados em Pernambuco. Segundo o levantamento feito pela CPT, no estado, 30.941 camponeses e camponesas sofreram com os conflitos no campo durante o ano de 2021. Desse total, 62% são camponesas e camponeses posseiros; 15,7% sem-terra; 10% comunidades quilombolas; 6,3% povos indígenas; e 3% comunidades pesqueiras. Foram registradas 99 ocorrências de conflitos, o que representa uma média de um conflito a cada 3,6 dias na zona rural pernambucana.

O professor da UFRPE, e mediador da mesa, Nunes da Silva alertou para a gravidade que os dados representam e chamou atenção para a violência cometida pelo Estado brasileiro. “Precisamos ficar atentos(as) a esses dados. São muitas violências do Estado, muitas mortes pela mão da polícia. Precisamos refletir sobre isso e nos posicionar, estando do lado daqueles/as que mais sofrem”.

Durante a apresentação, Plácido Junior ressaltou que “para compreender os conflitos no campo no país precisamos observar alguns elementos centrais. Há um aspecto estrutural que vem desde a colonização do Brasil, cujo modelo baseado na exploração do trabalho e na concentração de terras perdura até hoje. Outro aspecto é a conjuntura. Nos últimos anos, os conflitos no campo aumentaram. Há a lógica capitalista no campo. Temos um país com terra, com água, com sol, com vento. O momento do capitalismo no campo tem intensificado a procura desses bens da natureza para explorar e acumular. Mas há ainda outro aspecto dessa conjuntura, que é a existência de um Governo extremamente danoso para a sociedade, que tem estimulado a violência no campo e armando o latifúndio”, ponderou.

Detalhes dos dados de Pernambuco, apresentados nessa segunda-feira, podem ser encontrados aqui.

Conflitos no campo Brasil – Esta é a 36ª edição do relatório que reúne dados sobre os conflitos agrários e as violências sofridas por trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, bem como indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais da terra, das águas e das florestas. Editada pela primeira em 1985, a publicação se tornou referência nacional e internacional e instrumento fundamental de denúncia das violências acometidas cotidianamente contra povos e comunidades do campo no país. Na publicação, é possível encontrar informações a respeito dos conflitos por terra, conflitos pela água, trabalho escravo, manifestações, violências contra a ocupação e a posse e contra a pessoa, assassinatos, ameaças de morte, entre outras categorias de violência no campo. Também estão disponíveis no livro diversos artigos e análises dos dados levantados.

Jura UFRPE - O lançamento da publicação realizada pela CPT abriu a programação da 9ª JURA da UFRPE. A Jornada acontece até o próximo sábado, 16, com programação focada na luta em defesa dos povos da terra, das águas e das florestas, incluindo debates sobre educação camponesa, territórios e identidades, agroecologia e saúde, além de visita à comunidade de Roncadorzinho, no município de Barreiros, Zona da Mata Sul do estado, onde, em fevereiro deste ano, uma criança de nove anos foi assassinada.



Imagens: AgênciaJCMazella