Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Cerca de 200 trabalhadores rurais Sem Terra realizaram uma marcha pelas ruas do município de Altinho, no agreste de Pernambuco, nesta quarta-feira (11). Os Sem Terra seguiram em direção à delegacia da cidade, para protestar contra a violência do latifúndio na região, principalmente do representante da fazenda Serro Azul, e da conivência da polícia e do poder judiciário local.


Hoje pela tarde, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), uma reunião foi agendada com o Promotor Agrário de Pernambuco, Dr. Edson Guerra e representantes do governo estadual, para tratar dos últimos conflitos no campo no estado, que no último mês resultaram em dois trabalhadores Sem Terra assassinados, três baleados e um espancado. 

Desde que a fazenda Serro Azul foi ocupada pela primeira vez, durante a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária em abril do ano passado, que o representante da fazenda, Sr. Luiz Reis,  vem sistematicamente ameaçando e intimidando as famílias Sem Terra. Mas desde o início desse ano as ameaças passaram às vias de fato.

No dia 19 de fevereiro de 2012, o Sr. Luiz Reis, armado e acompanhado de três pistoleiros, agrediu fisicamente a acampada Josefa Maria de Belquior, apertando seu pescoço na tentativa de sufocá-la.

Pouco mais de um mês depois, no dia 22 de março, o trabalhador rural Sem Terra Everaldo Alves, conhecido como Seu Antônio, foi abordado pelo Sr. Luiz Reis e outras quatros pessoas, na estrada que liga o povoado de Santo Antônio ao acampamento.

Após colocarem uma arma em sua cabeça ele foi barbaramente espancando, com vários chutes no corpo e na cabeça, que resultou em uma costela quebrada. Seu Antônio foi encaminhado para o hospital de Agrestina e depois para o hospital regional do Agreste, em Caruaru, onde fez exame de corpo delito. Mesmo com as marcas visíveis de espancamento e com o laudo do hospital em mãos, exigiu “testemunhas” para registrar um boletim de ocorrência, e até hoje não foi encaminhada nenhuma investigação do caso.

No dia seguinte o Sr. Luiz Reis, junto com outros dois pistoleiros, abriu fogo contra as famílias Sem Terra que estão acampadas no assentamento Frei Damião, próximo à fazenda Serro Azul. As agricultoras Josefa Maria de Belquior e Josefa Edijane de Lima Bezerra, e o adolescente Janailson José da Silva, de 15 anos, foram baleados.

Mais uma vez, ao irem à delegacia de Altinho prestar queixa da agressão, os Sem Terra foram tratados como acusados e nem sequer foram ouvidos pelo delegado.

O MST, assim como a organização Terra de Direitos, já fizeram diversas denúncias sobre a situação em Serro Azul. Na reunião de hoje à tarde representas do MST e da Terra de Direitos solicitarão a designação de um delegado especial para investigar as agressões e a presença constante de homens armados na fazenda.

 

Fonte: MST PE