Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Agora não cabe mais nenhum recurso e o julgamento da morte de Luiz Carlos da Silva e da tentativa de assassinato de mais outros 13 trabalhadores rurais, que aconteceu em 1998 durante a greve dos canavieiros de Goiana, terá início às 9h da manhã desta terça-feira, 25.

Os 15 acusados de terem matado o canavieiro Luiz Carlos da Silva, à época com 22 anos, e de terem tentado matar mais treze pessoas durante uma manifestação grevista em 04 de novembro de 1998 no município de Goiana, região metropolitana do Recife, estão hoje no banco dos réus em um dos maiores julgamentos da história de Pernambuco.

Dos acusados, cinco são Policiais Militares do 2 Batalhão, quatro que estavam no momento do crime mais o Capitão que responde pela operação. Os demais eram funcionários da Usina Santa Tereza, do Grupo João Santos; oito faziam a segurança e participaram da ação e os outros dois eram: o chefe de segurança e o administrador da Usina, ambos indiciados como mandantes do crime.

O caso, que em novembro completa dez anos, foi mais uma triste história que envolve três já conhecidos atores das maiores tragédias das lutas no campo: canavieiros que lutam por melhorias nos salários e nas condições de trabalho; seguranças de usinas que trabalham, reprimem e até mesmo matam manifestantes; e policiais militares que muitas vezes trabalham à serviço dos usineiros.

A greve dos canavieiros da Zona da Mata Norte de Pernambuco havia sido deflagrada no dia 01 de novembro. Os trabalhadores rurais reivindicavam 31% de aumento nos salários, a greve convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Goiana teve adesão de boa parte dos trabalhadores. No quarto dia de paralisação o Engenho Terra Rica, da Usina Santa Teresa, contratou cortadores de bambu para fazer o serviço dos grevistas. Cerca de 250 canavieiros, que estavam em greve, foram até o local na tentativa de impedir que o corte da cana fosse feito e que a greve fosse enfraquecida.

Durante a manifestação, os canavieiros foram surpreendidos por Policiais Militares e seguranças da Usina Santa Teresa que chegaram ao local dentro de carros e atirando contra os manifestantes, segundo declarou o presidente do STR na época, José Mendes da Silva, ao Jornal do Commercio em matéria publicada no dia 05 de novembro de 1998. O trabalhador Luiz Carlos da Silva, que trabalhava para Usina Maravilha, e participava da greve, foi atingido e morreu no local, outros treze trabalhadores foram atingidos, mas conseguiram ser socorridos a tempo e resistiram.

Dez anos após o crime, os 15 réus serão julgados. Segundo o assistente de defesa, o advogado, Gilberto Marques, pesa sobre cada um deles um homicídio consumado e mais treze tentativas de homicídio qualificado, o que pode gerar uma pena superior a 100 anos.

O julgamento tem início hoje mas pode durar até cinco dias, visto o grande número de réus e a quantidade de crimes que pesa sobre cada um.

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Equipe de Comunicação da CPT - NE2

 

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