Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Nesta quarta e quinta-feira, 11 e 12, será realizado um intercâmbio entre comunidades camponesas dos estados da Paraíba e de Pernambuco que podem ser ou que já estão sendo impactadas pela instalação de grandes parques eólicos. A atividade é organizada pela CPT e por comunidades e organizações do Polo da Borborema (PB).

Na ocasião, 33 camponeses e camponesas, representantes de comunidades paraibanas que estão ameaçadas pela implantação de grandes parques eólicos, conhecerão a realidade de comunidades pernambucanas onde os danos provocados por esses empreendimentos já são uma realidade. As famílias paraibanas participantes do intercâmbio são oriundas de comunidades situadas nos municípios de Solânea,  Arara, Remígio, Casserengue, Algodão de Jandaíra, Esperança, Areial Montada e Lagoa Seca. Elas visitarão agricultoras e agricultores pernambucanos das comunidades de Sobradinho, Salgadinho e Pau Ferro, situadas no município de Caetés.

O objetivo da atividade é possibilitar que as comunidades paraibanas conheçam os principais danos causados pelos empreendimentos eólicos à produção de alimentos, à vida e à saúde de agricultores e agricultoras de Caetés. A iniciativa também pretende fortalecer e animar a resistência dessas comunidades, seja para lutar pela reparação dos direitos violados onde os parques já foram instalados, no caso das comunidades de Caetés, seja para dizer “não” à instalação desses empreendimentos nos territórios camponeses daqueles municípios paraibanos. 

O modelo de produção centralizada de energia eólica não é limpo nem sustentável. É o que pode ser constatado a partir da experiência das famílias camponesas do agreste de Pernambucano. “Depois da implantação dos parques eólicos na região, surgiram diversos problemas e danos nas comunidades. São famílias com problemas de saúde, com depressão, com problemas de audição, são famílias abandonando suas casas porque não aguentam conviver com os aerogeradores”, destaca Eurenice da Silva, agente pastoral da CPT em Pernambuco.

“Queremos seguir fortalecendo o direito das comunidades de dizerem ‘não’ a esses empreendimentos que têm trazido muitos impactos negativos, os quais não são observados pelos Poderes Públicos. Além dos danos causados à vida da população do campo, eles trazem também graves impactos ambientais, sendo muitos deles irreparáveis, como a destruição do bioma Caatinga”, complementa Vanúbia Martins, agente pastoral da CPT na Paraíba.

O debate sobre a produção de energia renovável e iniciativas nesse sentido são necessários para descarbonização do planeta e para redução dos efeitos das mudanças climáticas, mas, como destaca Vanúbia, “a nossa luta é para que as soluções globais não sejam tomadas criando ‘zonas de sacrifício’ em alguns locais do planeta, como o campo nordestino, mas que sejam pensadas iniciativas que respeitem a vida das populações locais e o meio ambiente, centrais para o cuidado com a nossa Casa Comum”, finaliza.

Serviço:
O que: Intercâmbio entre comunidades de PE e da PB sobre a realidade dos danos causados da produção da energia eólica;
Quando: Quarta e quinta-feira, 11 e 12 de maio de 2022;
Onde: Município de Caetés, Agreste de Pernambuco.
Outras informações:

Comissão Pastoral da Terra

Fone: (81) 3231.4445