Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

  • 7.jpg
  • 5.jpg
  • 6.jpg
  • 9.jpg
  • 2.jpg
  • 3.jpg
  • 10.jpg
  • 1.jpg
  • 4.jpg
  • 8.jpg
Segundo a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), das 1.011 iniciativas de uso racional dos recursos naturais na produção, 160 são desenvolvidas no Estado. Pesquisa foi feita entre abril e maio. Pernambuco lidera a lista de práticas agroecológicas no País, segundo estudo realizado pela organização não governamental (ONG) Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Do total de 1.011 iniciativas catalogadas no Mapa das Expressões Agroecológicas no Brasil, 160 ações são pernambucanas. Os números foram divulgados durante o encontro nacional sobre o tema, realizado no Recife. Por conceito, agroecologia é o uso racional dos recursos naturais na produção, seja ela vegetal ou animal. O levantamento foi feito entre os meses de abril e maio deste ano, por meio de um mutirão nacional de identificação dessas experiências. Entre as atividades agroecológicas registradas estão os sistemas de produção agrícola, agroflorestal, criação de animais, reforma agrária e direitos territoriais, manejo da vegetação nativa, entre outros exemplos. Depois de Pernambuco, os Estados que registraram mais ações foram Rio Grande do Sul, com 101 casos, Paraíba, com 99, e Minas Gerais, com 89. Por região, o Nordeste fica com 42% das ações, seguido pelo Sudeste (23%), Sul (16%), Norte (12%) e Centro-Oeste (7%). Segundo José Aldo Santos, coordenador da ONG Centro Sabiá, que também integrou a pesquisa, ações agroecológicas diferem da agricultura convencional em vários pontos. “Além de não utilizar veneno ou produtos químicos para controle de pragas, não usam sementes transgênicas. Outra característica é a policultura, que garante colheita durante o ano todo”, explicou. Para ele, experiências agroecológicas reúnem muito mais do que agricultura e ecologia. “Começa com a relação de respeito do produtor com a terra, passando pela segurança alimentar e geração de renda, por meio da criação de feiras e aquecimento do comércio.” Sem custos com insumos externos, a produção acaba saindo mais barata. Quem afirma é o coordenador financeiro da ANA, Jean Von der Weid. “A produtividade por hectare é superior aos sistemas convencionais, se considerarmos a produção de policultura e a monocultura tradicional numa mesma área”, revelou. Os números da pesquisa servirão para a criação de um banco de dados, de acordo com José Aldo. “Nossa intenção é ampliar esse estudo, pois sabemos que existem muito mais áreas que trabalham com o princípio da agroecologia.” ESTUDO II União de plantio e mata atlântica dá bons resultados Publicado em 25.06.2006 Entre as experiências registradas no Estado estão as ações desenvolvidas na propriedade de Jones Severino Pereira, em Abreu e Lima, no Grande Recife. Agricultor há quase 20 anos, ele adotou o sistema agroflorestal numa área de um hectare na comunidade de Inhamã. Lá, planta várias culturas que dividem espaço com espécies nativas da mata atlântica. Antes de conhecer a técnica, em 1994, Jones não conseguia produzir devido à pobreza do solo do Sítio São José. “Antes, eram alguns coqueiros e bananeiras, um abacateiro, uma mangueira e uma jaqueira. Todos praticamente improdutivos”, lembra. “Nessa época, a terra não tinha vida.” A proposta dos sistemas agroflorestais é introduzir árvores frutíferas em áreas onde há presença de indivíduos característicos de mata. No caso dele, foi preciso transformar a terra em local fértil. “O sistema imita a forma como a natureza trabalha, aproveitando cada folha ou galho como matéria orgânica. Então, plantei várias árvores que não me alimentam, mas servem para nutrir o solo”, explica o agricultor, com uma desenvoltura pouco comum aos trabalhadores rurais. Desde então, o sítio passou a ser uma referência em sistemas agroflorestais na região. “Recebo entre 400 e 500 pessoas por ano, entre pesquisadores, estudantes e interessados no trabalho”, diz Jones. O local já possui um alojamento com capacidade para oito pessoas. “Nós usamos para receber quem vem aprender e ensinar técnicas de criação de uma agrofloresta”, conclui. Fonte: Jornal do Commercio Publicado em 25.06.2006