Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

\"\"Os assentamentos da Reforma Agrária da Zona da Mata de Pernambuco, as comunidades quilombolas de Garanhuns e a Comissão Pastoral da Terra celebrarão, nesta segunda-feira, dia 29, em Carpina, a conclusão das primeiras turmas do Programa Saberes da Terra e do ensino fundamental. Serão 55 jovens e adultos que receberão a certificação da conclusão do Programa.
Durante todo o dia serão realizadas atividades em comemoração aos educandos. Na parte da manhã, a partir das 8h, está programada uma palestra sobre a Educação do campo como um direito; na parte da tarde, às 15h30 será realizado um culto ecumênico e, à noite, os educandos, educadores, familiares e integrantes de movimentos sociais participarão da solenidade de conclusão do Programa. Todas as atividades acontecem no Juvenato Maria auxiliadora, no município de Carpina. 

 

\"\"Saberes da Terra – A proposta pedagógica do Programa foi resultado das elaborações, formulações e acúmulos dos movimentos sociais sobre educação do campo, ao longo dos últimos anos. Sua concretização, entretanto, foi motivada a partir da II Conferencia Nacional por uma Educação do Campo, em Luziânia, GO, em 2004. Tendo suas primeiras turmas iniciadas em 2006 e concluídas agora em 29/12, o Programa foi realizado pela CPT e movimentos sociais de luta pela terra em parceria com o Ministério da Educação e o Governo do Estado. Segundo a educadora Sem Terra da CPT, Ana Claudia Pessoa, “o Sabres da Terra é um programa de escolarização com qualificação profissional que funciona nas próprias áreas de assentamento, acampamento e nas comunidades quilombolas, visando o fortalecimento desses territórios e o desenvolvimento da agricultura camponesa”.  Em 2008, o Programa conclui sua primeira turma no estado com 55 educandos e educandas – jovens e adultos – de áreas de assentamentos da Reforma Agrária do Estado e de comunidades quilombolas. A idéia e iniciar novas turmas do Saberes em março de 2009.

 

Por uma educação e cultura do campo

 

\"\"Um dos principais desafios assumidos pelos movimentos sociais, no processo de luta pela terra, foi o de garantir educação do campo para os camponeses e camponesas, nos assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária. Segundo Ana Claudia, a discussão por uma educação do campo foi intensificada a partir da década de 90, na medida em que a luta por educação e pela implementações de Escolas nas áreas de assentamento e acampamento foi tomando mais corpo dentro dos movimentos. “Entretanto, essas escolas vinham transplantadas da cidade, e quando chegavam no campo, traziam uma carga inadequada, um currículo inadequado e acima de tudo, eram preconceituosas pois não respeitavam o saber, a cultura e o povo camponês”, explica Ana Claudia. “Frases como ‘Estude pra você ser alguém na vida, para ir para a cidade’ eram freqüentemente ditas, e isso foi provocando os movimentos sociais do campo a entender que o processo de educação para os trabalhadores sem terra não poderia ser possível, na medida em que aquela educação negava o que eles eram e os seus conhecimentos”, complementa a educadora.

 

Esse programa, assim como o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) - que já atendeu, entre 2003 e 2007, mais de 400 mil pessoas em assentamentos da Reforma Agrária em todo o país -, faz parte da luta para garantir que os povos do campo tenham acesso à educação, respeitando seus tempos e sua cultura.  A educadora afirma que “a educação do campo que defendemos tem no pedagogo Paulo Freire um de seus grandes idealizadores. Temos como fontes de referência: as experiências já desenvolvidas sobre educação popular, a pedagogia do oprimido, a educação com leitura de classe. Lutamos contra a mercantilização da cultura e pelo fortalecimento de relações humanas justas e pela defesa da cultura camponesa - o camponês não é inferior ao homem que vive na cidade”.

 

\"\"O processo de aprendizado se dá a partir de discussões cotidianas sobre o trabalho, a coletividade, o cooperativismo, sobre novas relações de gênero e a valorização e potencialidade de cada lugar e cada pessoa. “Quando estudávamos meio ambiente, por exemplo, tínhamos como eixo articulador a agricultura camponesa. A partir daí, estudávamos os monocultivos, os seus impactos ambientais, e todos esses temas estavam muito bem contextualizados na vida dos educandos, então essas coisas deram materialidades para o conteúdo a ser estudado”, comenta Ana.

 

“Essa é uma proposta que vem fortalecer a Reforma Agrária, a agricultura camponesa, a luta pela terra, pelos direitos dos trabalhadores, porque possibilita que as pessoas que produzem, que estão no campo, também possam, cada vez mais, dizer suas palavras, se reconhecer dentro dos processos históricos e políticos”, afirma a educadora. “O Programa Saberes da Terra ainda tem muitos desafios a serem superados, mas sem dúvida é um marco importante, na medida em que reconhece que os sujeitos coletivos, ou seja, os movimentos sociais têm uma pedagogia, têm elaborações metodológicas e estão propondo mudanças libertadoras nas áreas educacionais para o povo brasileiro”, completa.

 

Serviço:

O que? Certificação de conclusão das primeiras turmas do Programa Saberes da Terra

Quando? Segunda-feira, dia 29, a partir das 8h.

Onde? Juvenato Maria auxiliadora

Rua Padre Guedes – Carpina/ PE

 

Outras informações:

Comissão Pastoral da Terra – PE

Setor de comunicação

Renata Albuquerque: (81) 9254.2212

Setor de educação:

Ana Claudia Pessoa – (81) 9701.9212

 

 

 

 

 

Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Rua Esperanto, 490, Ilha do Leite, CEP: 50070-390 – RECIFE – PE

Fone: (81) 3231-4445 E-mail: cpt@cptne2.org.br