O fazendeiro Joel Pereira Corrêa foi preso na sexta-feira (7 de dezembro) em uma ação do MPT (Ministério Público do Trabalho) com apoio da PF (Polícia Federal) por manter 20 trabalhadores em regime de escravidão.
Ele é proprietário da fazenda Cedro e arrendatário da Fatsul, ambas em Dourados, a 221 quilômetros de Campo Grande, onde o regime escravo foi encontrado. Nas duas propriedades rurais era explorado o corte de eucalipto.
De acordo com o procurador do Trabalho, Jonas Ratier Moreno, os trabalhadores dormiam amontoadas em barracos de lona, iniciavam a jornada ás 6h e paravam por volta de 18 horas, bebiam a mesma água que o gado “de um riacho, amarela e turva”. Não havia medicamentos de primeiros-socorros. “Total descaso com a saúde dos trabalhadores”, definiu Jonas.
Na fazenda Fatsul em um barraco foram encontrados quatro trabalhadores. Na mesma propriedade muitos já haviam abandonado o ‘alojamento’. Na Cedro, a ação flagrou 10 braçais em três barracos.
Muitos dos trabalhadores estavam sem receber pelos serviços desde setembro. O MPT determinou que o pagamento fosse feito imediatamente, com todos os direitos trabalhistas garantidos.
Dos 20 trabalhadores, 11 eram paraguaios e os demais brasileiros. Além de ser preso pelo crime de submeter pessoa ao trabalho em condições análogas à escravidão, o fazendeiro foi autuado em flagrante por posse irregular de arma.
Nas propriedades dele foram encontradas duas armas de fogo de grosso calibre, uma delas um fuzil. Joel deve responder a ação penal, ação civil pública e ainda por infrações de ordem administrativa.
Fonte: Sitio do ANPT, Campo Grande News, 11/12/2007.