Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Um bosque dos/as mártires e lutadores do povo foi plantado nas terras onde vive a comunidade Padre Tiago, no Engenho Una, Moreno (PE), nesse último domingo, 19. Logo ao raiar do dia, camponeses e camponesas da comunidade e agentes da CPT reuniram-se num grande mutirão para preparar e cuidar da área onde seriam plantadas as diversas mudas de plantas nativas produzidas pelo Padre Tiago Thorbly, agente histórico da CPT que fez a sua passagem no mês de abril.

A ação foi um gesto concreto de memória a Tiago, que acompanhou até seus últimos dias a luta pela terra das famílias posseiras da comunidade. Ao mesmo tempo, a iniciativa também contribui para recuperar áreas desmatadas pelo agronegócio da cana-de-açúcar. Jovens, homens, mulheres, anciãos e anciãs participaram do plantio, cada um e cada uma fincando na terra as mudas feitas por Tiago Trovão, assim chamado pelos camponeses e camponesas.

Padre Tiago mantinha a prática de coletar sementes, produzir mudas e distribuir nas comunidades camponesas que acompanhava, sendo esse um gesto que expressava o seu amor e cuidado com a Casa Comum e com os povos do campo. “Que vocês possam a partir de agora cuidar bem desse bosque. Ele é um espaço não só da comunidade, mas do planeta. Tenho certeza que o Padre Tiago está orgulhoso”, comentou Marluce Melo, da CPT. A iniciativa também contou com a presença de camponeses e camponesas da comunidade dos Marrecos, de Lagoa de Itaenga, que foram ao local para se incorporar ao mutirão.

Memória dos martírios e da luta - Antes do plantio, os agricultores e agricultoras entoaram canções e se dedicaram àquilo que o Padre Tiago lhes pedia com frequência: fazer a memória dos/as mártires e lutadores/as do povo e também da luta da comunidade pelo direito de permanecer na terra. As famílias camponesas são posseiras, vivem no local há muitas décadas, mas enfrentaram diversas tentativas de expulsão e despejo nos últimos 10 anos, em razão de um conflito por terra envolvendo a Usina Bulhões.

As perseguições, intimidações e o medo de perder a casa e a terra foram lembrados como momentos difíceis enfrentados pela comunidade. Mas a memória que alimenta a esperança também se fez presente. A resistência, as mobilizações, a amizade entre as famílias, os mutirões para cuidar dos espaços coletivos, a Casa de Farinha comunitária, a produção de alimentos, a festa da Macaxeira e tantas outras ações foram lembradas como importantes componentes da luta das famílias. A plantação do bosque dos/as mártires e lutadores/as do povo agora é mais um exemplo de cuidado com a Casa Comum e de resistência e luta em defesa da terra da comunidade Padre Tiago.

 

Confira aqui o álbum de fotos.

Créditos: Setor de comunicação da CPT NE2