Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Os movimentos sindicais e sociais e entidades que compõem o Comitê Emergencial do Campo participaram de reunião nessa sexta-feira (03), para discutir pautas estratégias para as populações do campo, como a questão dos impactos dos parques eólicos na região do agreste meridional e os conflitos agrários na região da mata sul do Estado.


Com relação aos parques eólicos, os impactos vão desde questões relacionadas à saúde, como ansiedade, depressão, até impactos em animais como aborto, redução da produção da ovos, fuga de abelhas e outros animais. A diretora de Política para o Meio Ambiente da Fetape, Rosenice Nalva, e assessoria da pasta, apresentaram os resultados de uma visita realizada no mês de agosto, quando uma Comitiva formada por entidades do campo, agricultores e agricultoras familiares moradores/as próximos aos aerogeradores do município de Caetés, o deputado estadual Doriel Barros e as Juntas codeputadas, fez uma escuta nas comunidades .

“As empresas de eólicas estão tomando conta. Os contratos das empresas têm cláusulas obscuras para os agricultores e agricultoras assinarem. Depois de assinado o contrato, as empresas ficam na terra por mais de 40 anos. Então, precisamos ficar atentos porque esses parques já estão chegando em outros municípios, declarou Rosenice Nalva.

O agricultor Simão é um dos moradores que vêm sofrendo desde que as torres eólicas foram instaladas, e tem lutado junto ao Sindicato de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Caetés para conter o avanço dos parques em outros municípios do agreste.

“Minha esposa sofre com depressão, ansiedade, não dorme e nem se alimenta bem por conta dos ruídos das eólicas. A gente vem nessa luta pra tentar se livrar um pouco desse grande problema. Nos outros municípios em que as eólicas estão se aproximando, a gente acredita que ainda pode haver um movimento de barrar. Essas empresas são estratégicas. A que chegou em Caetés foi a Casa dos Ventos. Ligaram as turbinas e venderam de imediato para uma empresa de ecoenergia, que já vendeu pra outra empresa e nem sabemos qual é”, contou seu Simão.

Segundo informou o gabinete do deputado estadual Doriel Barros está sendo feita uma investigação sobre a situação das eólicas no município. A Comissão de Agricultura, Pecuária e Política Rural, presidida por Doriel, e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe)  vão acompanhar todo o processo e farão visitas aos municípios de Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus, onde empresas devem instalar novos parques.

“Essas empresas se instalaram no agreste, procuraram as famílias com propriedades da agricultura familiar legalizada, com escritura, imposto em dias, o que facilitou colocarem os aerogeradores lá. Quem está sendo atingido são agricultores e agricultoras e o meio ambiente”, avaliou a presidenta da Fetape, Cícera Nunes.

Conflitos agrários -  O Comitê Emergencial do Campo também discutiu as questões dos conflitos nas matas sul e norte, como a ofensiva de grileiros que ameaçam centenas de famílias rurais nos municípios de Maraial, Jaqueira e Catende, por exemplo. Situação já denunciada ao governo do Estado e a Justiça. Segundo Bruno Ribeiro, advogado que representa entidades do campo, a violência tem diminuído, porém as solicitações ao governo ainda não foram atendidas. A exemplo da questão fundiária com atraso do ITERPE, que ainda não concluiu levantamento de posses antigas em engenhos como Batateiras e Pau D’Óleo.

Situação brasileira - Sobre análise conjuntural do país, o professor Espedito Rufino de Araújo apresentou uma análise do governo e permanente instabilidade com as crises, ataques à Constituição, à democracia.  “O desmonte que está sendo feito existe por todas as áreas, na social, educacional, agricultura, tudo é um desastre e a crise é grande. Essa crise sanitária gerou um aumento criminoso. Agora teremos que conviver com as variantes, que são muitas”, afirmou o professor.

O docente também lembrou dos atos de 7 de setembro e a importância da participação de movimentos sociais e sindicais do campo. “Não podemos arredar o pé, sempre que tiver uma forma de manifestar nas ruas contra o (des) governo devemos estar presente”, concluiu o professor.

Participaram da reunião a Fetape, CPT, Cáritas Nordeste 2, Caatinga, Gabinetes do deputado estadual Doriel Barros e do deputado federal Carlos Veras, Juntas Co-Deputadas, além de advogados, convidados/as e colaboradores/as.