Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou seis (06) fazendas improdutivas em Pernambuco nesse final de semana, nos dois primeiros dias da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária no estado (veja tabela abaixo).


Na madrugada de sábado (14), 100 famílias Sem Terra ocuparam a fazenda Serra Grande, no município de Gravatá. Já no domingo (15) pela manhã outras 400 famílias ocuparam uma área da empresa Fruit Vita, no município de Petrolina, sertão do estado. Segundo o dirigente do MST, Florisvaldo Alves, a área tem cerca de 1.300 hectares, dos quais menos de 200 hectares são ocupados por produção de manga irrigada para exportação. “Toda a área próxima ao canal de irrigação está abandonada, totalmente improdutiva”, afirma Florisvaldo.

A fazenda Amargoso, no município de Bom Conselho, agreste do estado, foi ocupada na madrugada de hoje (16), por cerca de 200 famílias. A fazenda é de propriedade do empresário pecuarista Sebastião Alexandre Soares, conhecido como Sebastião Café, proprietário de várias fazendas e residências em Bom Conselho e Palmeira dos Índios. Sebastião Café foi assassinado ano passado em Palmeira dos Indios, Alagoas. Hoje também foi ocupada a fazenda Condado, no município de São Bento do Una, com 60 famílias.

No município de Ibimirim, 110 famílias Sem Terra ocuparam a fazenda Garrote Bravo, e em Ipubi, na região do sertão do Araripe, 130 famíilias reocuparam a fazenda Cedro, de onde haviam sido despejadas no dia 10 de abril.

As ações da jornada de lutas acontecem em todo o Brasil. Em Brasilia cerca de 1.500 trabalhadores rurais Sem Terra de 20 estados ocuparam o Ministério do Desenvolvimento Agrário na manhã de hoje, e ficarão acampados no Distrito Federal por tempo indeterminado.

Nesse período serão realizadas ocupações de terra e atos contra a impunidade e a violência no campo em todo o Estado de Pernambuco


TABELA GERAL DAS OCUPAÇÕES

DATA ÁREA                      MUNICÍPIO        FAMILIAS
14/04 Fazenda Serra Grande      Gravatá        100
14/04 Fazenda Garrote Bravo        Ibimirim        110
15/04 Fruit Vita              Petrolina        400
15/04 Fazenda Cedro              Ipubi        130
16/04 Fazenda Amargoso      Bom Conselho 200
16/04 Fazenda Condado              São Bento do Una 60


Reforma Agraria Parada

O primeiro ano do governo Dilma foi o pior ano para a Reforma Agrária, com o menor numero de desapropriações de terra dos últimos 16 anos. Em Pernambuco, não foi diferente. Segundo o próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em 2011 foram assentadas o menos número de famílias desde 1995.

Isso apesar do Sistema Nacional de Cadastro Rural do INCRA indicar que 57,82% da área dos grandes imóveis cadastrados no Estado são classificados como improdutivos, o que significa cerca de 411.654,62 ha de terras improdutivas, mais do que o suficiente para assentar todas as 23.000 famílias acampadas em Pernambuco, segundo o próprio INCRA.


VIOLÊNCIA NO CAMPO

A jornada de lutas, denominada pela imprensa de “Abril Vermelho” é realizada em memória aos 21 companheiros assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás, em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, no dia 17 de abril de 1996, que se tornou oficialmente o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Depois de 16 anos de um massacre de repercussão internacional, ninguém foi preso e o país ainda não resolveu os problemas da pobreza no campo nem acabou com o latifúndio, que continua promovendo diversos atos de violência.

A Jornada tem ainda o objetivo de denunciar a extrema gravidade da violência no campo. Segundo dados parciais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de janeiros a novembro de 2011 foram registrados 23 assassinatos relacionados à luta pela terra. No mesmo período 172 lideranças de movimentos sociais do campo foram ameaçadas de morte, 107% a mais do que em 2010.

O estado de Pernambuco é historicamente reconhecido por ser um dos mais violentos em relação a conflitos agrários no país. Fatos recentes têm reafirmado esse triste título. Em menos de um mês dois trabalhadores Sem Terra foram assassinado, cinco foram baleados e um foi espancado por fazendeiros ou a mando deles. O MST possui uma lista de cerca de 15 nomes de dirigentes e lideranças de acampamentos ameaçadas de morte no estado. Além da violência do latifúndio, as famílias Sem Terra enfrentam ainda a violência institucional por parte da polícia e do poder judiciário.