Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

  • 9.jpg
  • 6.jpg
  • 8.jpg
  • 1.jpg
  • 5.jpg
  • 2.jpg
  • 4.jpg
  • 10.jpg
  • 3.jpg
  • 7.jpg

Nesta próxima sexta-feira, 19, será realizada uma audiência pública sobre os danos provocados por usinas de energias renováveis no estado da Paraíba, a partir das 9h, no Salão Paroquial da Igreja Matriz Nossa Senhora das Mercês, município de Cuité (PB). A Audiência é organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), ActionAid Brasil e AS-PT.

Durante a audiência, será apresentada a pesquisa intitulada “Indicadores de Pressão, Estado, Impactos e Resposta (PEIR) nos Assentamentos dos Brandões: uma abordagem integradora, participativa e sustentável para análise e conhecimento da realidade local”, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa e Estudo em Sistemas de Indicadores de Sustentabilidade Urbana, Rural e Ambiental (SURA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O estudo, realizado nos Assentamentos dos Brandões I, II e III, localizados em Cuité, foi desenvolvido por meio de metodologia pautada na participação popular e na escuta ativa da população atingida.

Na ocasião, famílias agricultoras dessas áreas, e de outras afetadas por empreendimentos de energias solar e eólica, estarão presentes para dar testemunhos sobre os danos e impactos que enfrentam, incluindo a perda da autonomia de seus territórios de vida e trabalho. A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) também foi convidada para falar sobre os licenciamentos ambientais dessas empresas na região.

Danos - De 2014 até 2022, foram liberadas mais de 480 licenças (entre licenças prévias, de operação e de instalação) e autorizações ambientais para cerca de 100 empresas do ramo, segundo dados sistematizados e extraídos da Sudema. Carregada de um discurso de sustentabilidade, na prática, o modelo centralizador adotado para a geração das energias eólica e solar no estado e no país não é tão sustentável assim. A instalação desses empreendimentos vem provocando diversos transtornos a populações rurais, apropriação de terras e territórios de comunidades camponesas, além causar danos ao meio ambiente, especialmente ao bioma Caatinga. Nos últimos anos, organizações sociais, como a CPT, comunidades camponesas, sindicados e movimentos populares têm denunciado e alertado às autoridades e à população sobre os impactos irreversíveis provocados pelo modelo vigente de produção de energia renovável.

Entre os principais danos relatados pelas famílias que vivem no seu entorno estão: perda da autonomia e do controle de suas terras e territórios; perda do espaço para a produção de alimentos; exposição aos riscos provocados pelas linhas de transmissão; rachaduras nas casas; enjoo; náusea; tontura; dores de cabeça; taquicardia; tremores pelo corpo; perda parcial da audição; distúrbios do sono; lapsos de memória; dificuldades de concentração; irritabilidade; depressão; transtornos de ansiedade e crises de pânico. Além dessas, os/as agricultores/as temem que outras enfermidades surjam em decorrência da longa exposição aos ruídos dos aerogeradores. Com relação ao meio ambiente, os principais impactos denunciados dizem respeito à devastação irreversível da Caatinga, aterramento de lagoas, poços e alteração da dinâmica de aves e de outros animais.

 

 

Serviço:

O que: Audiência pública sobre danos provocados por parques de energia eólica no estado da Paraíba

Quando: 19 de agosto, às 9h.

Onde: Salão paroquial da Igreja Matriz Nossa Senhora das Mercês. Cuité, Paraíba