Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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A Comissão Pastoral da Terra (CPT) fez parte da comitiva que acompanhou a Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) em visita às comunidades Redinha e Pinga, impactadas por parques eólicos nos municípios de São José do Sabugi e Santa Luzia. A atividade ocorreu no último dia 29 de outubro.

Na ocasião, parlamentes estaduais puderam conhecer de perto a realidade das famílias. Em São José do Sabugi, o Parque Eólico Canoas foi instalado em 2019. Já em Santa Luzia, o Parque Lagoa está funcionando há apenas três meses. Para Vanúbia Martins, agente pastoral da CPT em Campina Grande (PB), a expectativa é a de que os depoimentos dos camponeses e camponesas ouvidos durante a visita possam ajudar a Frente Ambientalista da ALPB a atuar na causa junto a gestores estaduais e municipais tanto na busca pela reparação dos danos quanto para repensar novas formas de produção de energia mais justas e populares.

Além da CPT, a visita foi acompanhada pelas demais organizações que compõem a Frente Contra os Impactos das Energias Renováveis na Paraíba: o CERSA, a Ação Social Diocesana de Patos, a Cáritas, o Polo Sindical da Borborema, a AS-PTA e o Grupo de Pesquisa Dom Quixote. Também estiveram presentes Cida Ramos, deputada estadual, Jô Oliveira, vereadora de Campina Grande (PB), Jéssica Siviero Vicente, analista de justiça climática da ActionAid, Diley Shorchet, do MST, Armando Virgolino, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Santa Luzia, além de líderes comunitários locais. A atividade foi motivada a partir da demanda e reivindicação dessas organizações sociais.

    

Impactos relatados - Embora a energia eólica seja considerada uma fonte limpa, os grandes parques e o modelo centralizado de geração de energia têm causado impactos variados às comunidades situadas em seu entorno. “As famílias relatam vários danos, o que demonstra o lado negativo do modelo implementado na Paraíba e no Nordeste brasileiro. As comunidades de Redinha e Pinga repetem o que já foi ouvido em outras regiões e em outros estados: destruição da vegetação nativa ou desmatamento da Caatinga; desaparecimento ou mudança na rota de aves, abelhas e morcegos; produção de ruídos pelos aerogeradores, prejudicando a audição dos moradores(as) mais próximos das turbinas; transtornos psicológicos; casas rachadas; empobrecimento dos solos e consequentemente redução na produção da Agricultura Familiar”, ressalta Vanúbia.

Para a jovem camponesa Camila, da comunidade Redinha, “o ganho financeiro com a instalação dos empreendimentos tem sido visto sempre em primeiro lugar. Ninguém pensa no meio ambiente nem no futuro”. Ainda durante a visita, representantes da comunidade a que pertence Camila informaram à comitiva e à Frente Parlamentar Ambientalista que um dos poços que abastece as famílias secou pelo uso indiscriminado das águas por parte das empresas. E acrescentaram: “a vazão de mais dois poços, dos quais a comunidade depende, já está sendo reduzida”. Além desses, outros impactos foram citados, como a falta de informações nas assinaturas dos contratos, a ilusão em torno da geração de emprego e na melhoria da qualidade de vida a partir da chegada dos empreendimentos, entre outras situações.

   

Para a presidente da Comissão Parlamentar Ambientalista, a deputada Estela Bezerra, o encontro com as comunidades foi esclarecedor: “saímos daqui com uma visão ampliada da realidade local”. Ao fim da visita, uma série de propostas foram direcionadas à Frente Parlamentar, como a necessidade de revisão da legislação ambiental estadual; maior cobrança do Estado para que empresas já instaladas no local atuem em respeito às leis e na reparação dos danos causados; realização de audiências públicas sobre o tema, entre outras propostas.

A CPT e as organizações que compõem a Frente Contra os Impactos das Energias Renováveis na Paraíba reforçam que o modelo concentrado de produção de energia degrada a Caatinga já maltratada e não respeita os modos de vida das comunidades camponesas. “É preciso seguir na luta com as famílias e as suas organizações, na busca por justiça e na luta pela construção de outro modelo produtivo, descentralizado e mais justo. As soluções para as mudanças climáticas devem passar por uma efetiva mudança nos modos de viver e produzir, caso contrário, teremos mais soluções econômicas que ambientais, o que aprofundará o aquecimento Global”, finaliza Vanúbia.

 

 

Fonte: Com informações da CPT Equipe Campina Grande (PB)

Imagens:  Marta Idalina - Assessoria de comunicação Deputada Estela Bezerra