Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Carolina Souza

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A precária assistência agrícola e a necessidade de uma reforma agrária efetiva está perturbando milhares de trabalhadores sem terra no Rio Grande do Norte. Distribuídos nas mais diversas rodovias federais no Estado, sempre acampados em baixo de lonas, cerca de quatro mil potiguares vivem para denunciar a priorização do governo federal pelo agronegócio em detrimento da agricultura camponesa. Hoje, em Natal, um grande grupo percorreu as ruas da cidade para protestar sobre o descaso das autoridades.

 

Acampados desde ontem na sede potiguar do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Tirol, zona Leste de Natal, mais de 500 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) fizeram uma marcha em protesto ao sistema de reforma agrária do RN e a consequente falta de celeridade nas desapropriações de terra, sob o grito de guerra do Movimento: “Ocupar, resistir e produzir!”.

De acordo com um membro da direção do MST no Rio Grande do Norte, Acioly Barbosa, a “reforma agrária nunca esteve tão paralisada”. “Há uma conjuntura muito difícil. A justiça poderia estar desapropriando e fazendo a reforma agrária, mas fica protelando o processo, causando entraves. Enquanto isso, o poder Executivo só faz desacelerar. Queremos que o Governo faça alguma coisa por nós. E urgente”, disse.

Durante a marcha, os manifestantes pegaram diversas pessoas de surpresa e acabaram tornando um caos o trânsito da cidade, já que saíram em caminhada do Incra, na avenida Rodrigues Alves, até às proximidades do Centro Administrativo do Governo do RN. Mesmo sem afirmar o percurso que o grande grupo faria, Acioly disse que o objetivo do protesto é mostrar que os trabalhadores sem terra precisam aparecer para cobrar seus direitos.

“Queremos que a cidade pare e veja que nós estamos aqui, cobrando um direito que é nosso. Esse protesto com certeza vai repercutir em Brasília, que é um dos nossos objetivos. Queremos que o ministro de Desenvolvimento Agrário venha nos receber, presencialmente, conforme ele mesmo prometeu no mês passado. Temos muitas questões a serem resolvidas”, destacou.

O acampamento na sede do Incra e a mobilização nas ruas de Natal fazem parte de uma mobilização nacional que tem como objetivo reivindicar a desapropriação de fazendas em que existem acampamentos do movimento e políticas de desenvolvimento dos assentamentos e para a juventude rural. Caso a superintendência do Incra não realize a ponte com o Ministério de Desenvolvimento Agrário, os manifestantes prometem voltar a ocupar o prédio por tempo indeterminado.

“Sempre que recorremos ao Incra para apresentar os nossos pleitos eles dizem que não podem fazer nada. Se um órgão do Governo Federal diz que não tem o que fazer, é porque ninguém mais que está ao nosso alcance pode. Se a pessoa de Brasília não vier nos receber, voltaremos a acampar a sede do Incra por tempo indeterminado”, afirmou Acioly Barbosa.

 

fonte: jornaldehoje.com.br