Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

As comunidades de famílias agricultoras dos Engenhos Fervedouro e Barro Branco, em Jaqueira, Zona da Mata Sul de Pernambuco, receberam a informação de que há uma lista de 14 pessoas marcadas para morrer. A notícia causou pânico entre as famílias das duas comunidades, principalmente depois que um dos agricultores que estaria na lista, Edeilson Alexandre Fernandes da Silva, 24 anos, sofreu uma tentativa de assassinato, sendo alvejado por sete tiros em uma emboscada no dia 16/07.

Para cada nome dessa lista da morte, há uma vida, há mãos calejadas, há trabalho, há histórias e muitos sonhos, mesmo diante do medo de não haver mais amanhã. Esses agricultores e agricultoras denunciam à CPT, por meio de uma série de vídeos que serão divulgados nos próximos dias, a situação em que se encontram. Exigem, sobretudo, que medidas sejam tomadas em caráter de urgência para evitar as mortes anunciadas.

A área em questão enfrenta um dos maiores conflitos fundiários do estado de Pernambuco nos últimos dez anos, com episódios de violência por parte do latifúndio registrados quase que diariamente. As famílias vivem no local há gerações e lutam pelo direito à terra, mas enfrentam um conflito com a empresa arrendatária Agropecuária Mata Sul S/A, cujo representante é o empresário Guilherme Cavalcanti de Petribú de Albuquerque Maranhão. Membro de uma tradicional família ligada ao setor sucroalcooleiro em Pernambuco, o empresário também é irmão de Marcello Maranhão, prefeito do município de Ribeirão. As terras em questão pertencem à Usina Frei Caneca, a qual possui uma dívida multimilionária com o Estado de Pernambuco.

>> Diante da gravidade, a CPT e várias organizações do campo reivindicam em caráter de urgência a designação de um delegado especial para investigar e apurar com isenção e de modo contundente esse e outros crimes que vêm colocando em risco a vida das famílias agricultoras na região.

>> Os conflitos fundiários e a violência no local só serão resolvidos por meio de uma atuação enérgica do Governo de Pernambuco e com a cobrança dos débitos multimilionários da Usina Frei Caneca para que sejam revertidos em terra para as famílias agricultoras que lá vivem há gerações.

O Governo do Estado de Pernambuco precisa atuar para impedir as mortes anunciadas!

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