Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

 

Representantes da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e da Ouvidoria da Secretaria de Defesa Social visitam nesta terça-feira (3/6) o acampamento Gregório Bezerra, no município de Altinho, agreste pernambucano.  A visita tem como principal objetivo apresentar os resultados das diversas investigações abertas para punir os atos de violência.

 

O acampamento tem sido palco de violência sistemática por parte de pistoleiros contratados pelo latifundiário da fazenda Serro Azul, Luis Reis, desde abril do ano passado. Desde o inicio deste ano, o fazendeiro tem se tornado ainda mais violento e as ameaças verbais e intimidações passaram para as vias de fato.

No dia 22 de março, Reis  espancou o acampado Eraldo Alves da Silva, conhecido como Seu Antonio, enquanto o mantinha sob a mira de uma arma, acompanhado de dois pistoleiros.

Na manhã seguinte, ele abriu fogo contra as familias acampadas, atingindo duas mulheres e um adolescente. No dia 29 de junho, por volta das 21h, Reis, acompanhado mais uma vez de seus pistoleiros, um deles membro da Policia Militar de Pernambuco, atirou mais uma vez contra os barracos onde as familias Sem Terra dormiam, entre eles várias crianças. Foram mais de 10 tiros de pistola e espingarda 12. As marcas da violência ficaram nos barracos perfurados.

Em virtude dessa situação de violência constante, as familias do acampamento Gregório Bezerra foram inseridas no programa estadual de proteção aos defensores de direitos humanos, da Secretaria Estadual de Direitos Humanos.

 

 

 

Violações

 

Serão apresentados resultados das investigações abertas relacionadas à autuação de policiais militares como milicias armadas do fazendeiro; três inquéritos abertos contra o Sr. Luis Reis: pelo espancamento do trabalhador rural Eraldo Alves da Silva; pelos tiros que atingiram as duas acampadas e um adolescente no dia 22 de março; pelas ameaças feitas a outro adolescente, também acampado; uma representação feita contra o promotor da cidade de Altinho, Dr. Geovany de Sá Leite, que incentivou e legitimou a violência do despejo efetuado pela Policia Militar e pelos funcionários da fazenda no dia 11 de outubro de 2010.

 Além da punição imediata do fazendeiro e dos pistoleiros envolvidos nos atos de violência e dos órgãos públicos que legitimaram essas violências, as familias do acampamento Gregório Bezerra cobram que os representantes do governo estadual possam apresentar alguma resposta sobre o convênio com o Incra, que permitirá a desapropriação de fazendas em situação de conflito por interesse social.

A Direção Estadual do MST avalia que é inaceitável que o governo continue permitindo mandos e desmandos de fazendeiros impunemente, legitimando o poder dos coronéis que no interior de Pernambuco continuam mandando mais do que o Estado. O Movimento defende que, para acabar com a violência do coronelismo, é preciso tirar o que lhes confere poder: suas terras.

 Fonte: MST PE