Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

 
Os oito posseiros da Fazenda Pau a Pique/PB foram libertados da prisão nessa quinta-feira, dia 02/02. Os trabalhadores estavam presos desde o dia 25 de janeiro, na Cadeia Pública do município de Pilar/PB, porque foram acusados ilegalmente de invadir as terras da Fazenda e de provocar prejuízos ao proprietário, o Desembargador Dr. Paulo Maia. A Fazenda Pau-a-pique está localizada no município de São José dos Ramos/PB, onde cerca de 80 famílias vivem há mais de 60 anos, incluindo os trabalhadores presos.
 
De acordo com a CPT na Paraíba, que acompanha o caso, os posseiros que vivem há décadas na área foram impedidos de plantar nos pequenos espaços de terras localizados ao redor de suas casas. No entanto, as famílias se recusaram e não obedecerem a ordem.  Em nota, a CPT afirmou que os trabalhadores foram presos somente por lutarem pela Reforma agrária.
  
Os oito trabalhadores rurais foram recepcionados por uma comitiva composta pelo Deputado Estadual Frei Anastácio, familiares e amigos, advogados, padres, freiras, membros da Pastoral Carcerária e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), com fogos e muita alegria na praça principal da cidade de pilar. Depois, todos seguiram até a fazenda Pau a pique para comemorar a liberdade dos posseiros. Entre eles, estão dois idosos com quase oitenta anos de idade, que passaram oito dias presos.
 
 
Confira histórico do conflito e nota da CPT segue adiante:
 
 
Criminalização da luta pela terra faz oito presos em São José dos Ramos/PB
 
O conflito pela terra na fazenda Pau-a-pique (município de São José dos Ramos/PB), onde cerca de 80 famílias vivem há mais de 60 anos, se intensificou na manhã desta quarta-feira, 25/01, com a prisão de 8 posseiros, que já foram transferidos para a cadeia pública do município de Pilar/PB.

O imóvel em questão possui 850 ha e foi subdividido em razão de herança. Uma das áreas foi adquirida pelo Desembargador Paulo Maia. Ele e outras pessoas que adquiriram as demais áreas aos poucos, foram fechando o cerco sobre os posseiros, ilhando-os com o plantio de cana-de-açúcar e a criação de gado. Com isso e também em virtude das ameaças os posseiros ficaram impossibilitados de construir novas benfeitorias.


No ano de 2015, foi solicitada a vistoria da propriedade ao INCRA, que já realizou o cadastro das famílias e iniciou as buscas cartoriais, tendo constatado que os registros da propriedade estão confusos.
Em 2016, Paulo Maia ingressou com um pedido liminar de reintegração de posse contra as famílias e compareceu ao local com um trator, junto a 04 policiais, para destruir a lavoura dos posseiros. As famílias, porém, resistiram, não permitindo a concretização da destruição.


A Justiça entendeu que as famílias são invasoras da terra do Desembargador Paulo Maia. Segundo a justiça, eles teriam causado um prejuízo de 90 mil reais ao desembargador.
Os posseiros presos são José Zacarias de 76 anos; João Augusto de 61 anos; Jorge Silvano de 63 anos; Manoel Paulo 43 anos; José Nilson de 24 anos; Rogério Sebastião Firmino de 35 anos, além de dois posseiros conhecidos como Venezio e Tido. Eles estão sendo assistidos pelos advogados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

 

 

Fonte: CPT NE 2, com informações da assessoria de comunicação do Deputado Estadual Frei Anastácio.