Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Próxima edição itinerante está prevista para os dias 5 e 6 de novembro

Iniciada no Dia do Nordestino, 8 de outubro, a segunda Feira Camponesa itinerante após a quarentena decorrente da pandemia da Covid-19 foi encerrada ontem (09/10) com um saldo positivo, especialmente, pela aceitação do público e participação de amigos e parceiros da CPT em Alagoas. A próxima edição vai acontecer nos dias 5 e 6 novembro.

Logo no primeiro dia, Pinóquio do Acordeon chegou cedo para se somar à reportagem do telejornal Bom Dia Alagoas que destacou os elementos da cultura nordestina presentes na Feira Camponesa, a exemplo da tapioca, do pé-de-moleque e das raízes. Não podia faltar o forró pé-de-serra do cantor, nem o aboio da sertaneja Maria Célia. O aboio é um canto típico da região que os vaqueiros e vaqueiras usam para contar histórias do cotidiano sertanejo.

Além da vizinhança da praça do Conjunto José Tenório, onde ocorreu a feira livre, passaram pelo local pessoas de diferentes bairros de Maceió, que se deslocaram de suas casas especialmente para adquirir os produtos saudáveis produzidos pelas famílias camponesas do sertão, zona da mata e litoral alagoano acompanhadas pela Pastoral.

Entre os frequentadores assíduos da Feira Camponesa, tanto daquelas maiores realizadas na Praça da Faculdade, quanto das edições itinerantes, estiveram presentes o presidente do Instituto de Terra e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral), Jaime Silva; o coronel Elvandro Omena, do Gabinete Militar do governo estadual; a jornalista Lenilda Luna (UP) e a ex-reitora da Ufal Valéria Correia (PSOL), candidatas à prefeita de Maceió; Izac Jacson (PSOL), candidato a vereador; e as integrantes da candidatura coletiva Elas Sim (UP), Mona Spinassé e Erica Gonzaga, também disputando para o cargo na Câmara.

“As feiras livres são espaços importantes para a cidade. Os pequenos agricultores comercializam seus produtos, os moradores encontram produtos de qualidade com preço justo, além de ser uma atividade que fortalece laços comunitários”, disse Lenilda Luna.

Valéria destacou a importância da Feira Camponesa com a articulação campo e cidade, porque se o campo não planta a cidade não se alimenta. Falou, ainda: “São necessários espaços públicos para que os produtores da agricultura familiar estejam diretamente em contato com a população da cidade, oferecendo produtos de qualidade. Isso é importante tanto para o campo quanto para a cidade: gerar economia local nesse entrosamento, e mais que isso, vamos estimular esse tipo de feira”.

As camponesas Agenilda, Maria Célia e Silene contaram que levaram vários alimentos diferentes para a Feira Camponesa. Elas trabalham com base da produção agroecológica, plantando e colhendo de forma sustentável e com respeito ao meio ambiente. Não há como passar fome nas áreas onde essas três mulheres sertanejas trabalham a terra, porque elas têm tudo o que precisam.

Agenilda e Maria Célia vivem na comunidade Delmiro Gouveia, situada no município de Inhapi. Juntas, levaram verduras, legumes, frutas, grãos e raízes para a feira. Pepino, coentro, tomate, mamão, pimenta, abóbora, cacto do sertão etc. “Na próxima, se Deus quiser, a gente vai investir em mais coisa ainda. Vamos trazer feijão de corda verde, se tiver milho verde a gente também vai trazer, que é para surtir mais a banca!”, disse Célia.

O colorido é uma marca que sempre chama atenção à banca de Silene. As cores diversas se justificam porque lista do que a sertaneja levou, e costuma levar, à praça não é pequena. Ela cita: feijão de corda verde, feijão de corda seco, andu verde, andu seco, feijão de arranca, fava, mamão, banana, abóbora, batata, tomate, tomate cereja, cebola, ovos de galinha de capoeira". Tudo plantado no lote que é o seu lar, lugar de trabalho e fonte de sustento de sua família. Segundo Silene, é muito bom ter conquistado a terra e uma maravilha estar na Feira Camponesa. As amizades que faz nos espaços distrai tanto que ela nem sente o cansaço.

Com humildade de quem há mais de 20 anos está na luta pela terra, Silene falou sobre sua vocação enquanto camponesa. “Cada um tem seu dom de fazer as coisas. Uns tem o dom de estudar, ter emprego... Já o meu dom foi da roça, porque eu nasci na roça e sei que vou morrer na roça, porque faço com amor, gosto muito de trabalhar e aqui estou para arrumar o pão de cada dia”, conclui.

A Feira Camponesa itinerante está sendo realizada seguindo as recomendações de enfrentamento à pandemia da Covid-19. O número de bancas foi reduzido de uma média de 25 para 12; o local é isolado; na entrada há termômetro e álcool 70 e o uso de máscara é obrigatório. 

 
 

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Lara Tapety - Ascom CPT/AL

(MTB 1340/AL)