Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

A semana santa começou com a prática da partilha no acampamento Bota Velha – ameaçado de despejo – no município de Murici/AL. Foi realizada a pesca dos peixes do açude coletivo da comunidade para distribuí-los entre as famílias e, também, uma "farinhada" produzida na Casa de Farinha. Participaram da atividade 36 famílias; cada uma recebeu 8 peixes e 2kg de farinha.


Para Seu Esídio, a partilha dos peixes é muito importante para a comunidade de Bota Velha. "A gente não tinha dinheiro para comprar o peixe. Mas, graças a Deus, temos esse açude", disse. O senhor, que mora numa casinha de taipa com mais 3 pessoas, relatou que o peixe vai ajudar muito, especialmente diante das adversidades dos familiares para encontrarem emprego nesse momento de crise.

A partilha do pão ocorreu de forma tranquila, sem aglomerações, respeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) de prevenção contra a Covid-19. Foi um momento motivador para as famílias da comunidade, pois elas estão entre os grupos de trabalhadores mais vulneráveis em meio à crise econômica, já que suas dificuldades precedem o atual estado de calamidade pública. A união é ainda mais necessária para evitar mais sofrimento, principalmente a fome. Como diz a música, "A nossa comunidade se reúne todo dia, a nossa comunidade se transforma em alegria".

O acampamento Bota Velha completou 20 anos em 2019. Neste ano de 2020, a comunidade recebeu o certificado de resistência na 31ª Assembleia Estadual da CPT, ocorrida nos dias 03 a 05 de março em Palmeira dos Índios. Unidas, as famílias conseguem produzir meia tonelada de farinha por semana, além de diversos alimentos que servem para subsistência e são comercializados nas feiras livres.

A ocupação resistiu à vários mandados de reintegração de posse e, no ano passado, um novo mandado chegou ao processo de execução, sendo suspenso após ações de mobilização, manifestações de apoio desde a Arquidiocese de Maceió até instituições internacionais, intermediação do Iteral e diálogo com o Tribunal de Justiça.
A luta, porém, continua, para que as famílias de Bota Velha conquistem efetivamente a terra e, com isso, trabalho, alimento e dignidade. Assim, sigam firmes para que todos trabalhadores e trabalhadoras também possam sonhar.

Assista ao documentário "A Bota Velha é Nossa"
 

 

 
 
Lara Tapety - assessoria de comunicação da CPT/AL
Com informações de Jailson Tenório - agente da CPT Alagoas da zona da mata