
Nos dias 30 e 31 de março, mulheres camponesas de comunidades acompanhadas pela CPT no Oeste do Rio Grande do Norte participaram do Encontro de Formação “Mulheres Camponesas em permanente processo de libertação”, realizado no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Apodi.
Setor de comunicação da CPT NE 2
Imagens: participantes do Encontro de Formação/RN
O encontro reuniu mulheres de diferentes municípios em um espaço de partilha, reflexão e construção coletiva de saberes. Entre os temas abordados, estiveram o papel das mulheres na Bíblia e o diálogo com a obra Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, como referência para pensar práticas de libertação e educação popular no contexto de luta das mulheres camponesas e de suas comunidades.
A formação foi conduzida por Zélia Cristina, do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) de Mossoró (RN), e por Socorro Moraes. As facilitadoras articularam a leitura do processo de libertação do pedagogo brasileiro com a análise da presença e do silenciamento das mulheres nos textos bíblicos, destacando as noções de “palavras malditas” e “palavras benditas” como elementos centrais dessa reflexão.
Para Zélia Cristina, a formação se mostrou ainda mais necessária diante do cenário atual. “Em um contexto marcado por fundamentalismos e misoginia, a temática se mostra de extrema relevância. Nossas lutas se fundamentam na conscientização, no reconhecimento do nosso valor e na necessidade de persistir na busca por justiça. A articulação entre a filosofia de Paulo Freire e os ensinamentos bíblicos apresenta-se como um elemento libertador em tempos nos quais os textos religiosos, considerados sagrados por diversas tradições, podem ser instrumentalizados para a manipulação e a opressão, especialmente das mulheres. Então, ao analisarmos as passagens bíblicas sob a ótica de seus contextos históricos, podemos identificar os interesses que permeiam esses textos e desmascarar as estratégias de dominação.”
Além das discussões, as camponesas também puderam assistir ao filme “Pureza”, do diretor Renato Barbieri. O encontro foi mais um espaço que objetivou ampliar a formação política e crítica das mulheres camponesas, conectando saberes bíblicos, educação popular e experiências concretas de vida das comunidades em que vivem. As participantes saíram da atividade mobilizadas e animadas para seguirem organizadas, fortalecendo suas vozes e construindo coletivamente caminhos de resistência e emancipação dos povos do campo.
