Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Cerca de 50 camponeses e camponesas participaram, no último dia 12, de uma reunião das comunidades acompanhadas pela CPT na Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco. O encontro ocorreu na comunidade Padre Tiago, em Moreno, e reuniu representantes de 16 comunidades, sendo 12 áreas em conflito e 4 assentamentos da Reforma Agrária. Marcada por momentos de mística e pelo reconhecimento da luta das mulheres, em alusão ao dia 8 de março, a atividade reafirmou que a efetivação da reforma agrária está diretamente ligada à disputa por um projeto de sociedade que valorize o campesinato e os direitos das comunidades.

Setor de comunicação da CPT NE2
Imagem: Divulgação

 

A atividade teve dois eixos de debate: a resolução dos conflitos agrários e o acesso às políticas públicas nas áreas de assentamento. Também estiveram presentes na ocasião o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Alexandre Conceição, e o superintendente federal do MDA em Pernambuco, Caetano de Carli.

No que diz respeito às áreas em conflito na Zona da Mata, o MDA e o Incra se comprometeram a realizar, nos dias 17 e 18 de março, o cadastramento de todas as famílias que ainda não realizaram o cadastro. Também foi informado que áreas já avaliadas e em fase de aquisição terão seus processos concluídos até junho, incluindo comunidades como Padre Thiago (Moreno), São Bento e Gongo (Itambé) e Fervedouro (Jaqueira), que deve passar por audiência no início de abril.

Para as demais áreas, o Incra se comprometeu a avançar nos processos rumo à desapropriação, sendo necessária a realização de uma reunião entre uma comissão de agricultores e agricultoras, a CPT e o Incra para atualizar as informações sobre cada uma das comunidades. Já nos assentamentos, foram destacadas demandas estruturais, como estradas, abastecimento de água e acesso a equipamentos agrícolas, além da necessidade de ampliar o acesso ao crédito, especialmente para mulheres e jovens. Esses pontos também serão aprofundados em diálogo com os órgãos responsáveis.

A reunião foi avaliada como positiva pelas comunidades, especialmente pela presença dos órgãos governamentais, invertendo uma lógica em que, historicamente, são as famílias que precisam se deslocar até as instituições para cobrar a execução de seus direitos. O encontro foi concluído com encaminhamentos e compromissos concretos e reforçou a importância da organização e da mobilização popular para garantir avanços na reforma agrária ainda em 2026.

 

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