Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Na manhã da última terça-feira, 3, uma visita técnica da Promotoria Agrária e de diversos órgãos que integram a Comissão Estadual de Acompanhamento aos Conflitos Agrários (CEACA)  foi realizada na Comunidade Batateiras, no município de Maraial, Mata Sul de Pernambuco. A iniciativa teve como objetivo acompanhar e compreender o contexto atual do conflito por terra que envolve famílias camponesas posseiras que vivem há gerações na localidade e uma empresa do ramo da pecuária que adquiriu a área há cerca de cinco anos.

Setor de comunicação da CPT NE2/ Imagens: Equipe CPT Mata Sul - PE



A atividade contou com a participação da Promotoria Agrária, Defensoria Pública do Estado (DPE), Programa Estadual de Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos (PEPDDH), Instituto de Terras de Pernambuco (ITERPE), representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), membros da comunidade e advogados da empresa envolvida na disputa.

Durante a visita, foram percorridos oito sítios pertencentes a famílias posseiras, que na ocasião relembraram o histórico de violência vivido desde 2020, com a chegada da empresa, o qual foi marcado por ameaças de morte, presença de milícia privada, agressões físicas, perseguições, além da destruição de lavouras e de pertences das famílias.

Segundo os relatos, após a realização de diversas denúncias, os episódios de violência mais ostensivos diminuíram. No entanto, a pressão permanece por meio de pulverizações aéreas sistemáticas de agrotóxicos, que têm atingido diretamente os sítios das famílias e provocado a destruição de plantações. Logo na chegada da comissão, inclusive, foi possível observar uma picape da empresa transportando, na carroceria, um drone utilizado para a pulverização de veneno, equipamento que, segundo os/as moradores/as, vem sendo utilizado para realizar pulverizações aéreas de agrotóxicos sobre seus sítios.

 

A partir dessa visita, a CEACA deve atuar na busca de medidas e encaminhamentos que contribuam para a mediação e a resolução do conflito. A CPT reforça que casos como este evidenciam a urgência de uma atuação eficaz do Estado para garantir segurança às famílias e sobretudo para garantir o direito à terra e a  Reforma Agrária, condição fundamental para que famílias agricultoras possam viver, produzir e cuidar da terra com dignidade e segurança.

 

 

 

Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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