Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Com a presença de Carlos Lima, da coordenação nacional, evento debate dados alarmantes de conflitos agrários e desafios para a garantia de direitos no estado. Saiba a programação!

Com o lema "Em defesa dos povos das águas, do campo e das florestas!", será realizada em Alagoas a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, mobilização articulada em todo país entre os dias 10 e 14 de agosto de 2026. Em Marechal Deodoro, Piranhas e União dos Palmares, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) integra a programação com debates, lançamento da campanha, visita a acampamento e incidência política sobre os rumos da reforma agrária e os direitos das comunidades tradicionais.

As atividades contam com a presença confirmada de Carlos Lima, membro da coordenação nacional da CPT, que participa das mesas de debate e atividades formativas no IFAL (Campus Marechal Deodoro) e na Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL (Campus V, em União dos Palmares). Na ocasião, Carlos Lima fará uma radiografia detalhada sobre os dados dos conflitos no campo no país e especificamente no estado de Alagoas com base na 40ª edição da publicação Conflitos no Campo Brasil, apontando os principais gargalos estruturais e os desafios urgentes enfrentados pelos movimentos sociais e povos tradicionais.

"A Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo é um momento fundamental de denúncia e resistência. Mesmo com variações estatísticas, as tensões estruturais permanecem vivas e exigem respostas firmes do Estado em defesa da vida nos territórios", destaca a articulação da Campanha Contra a Violência no Campo.

Panorama da violência e dos conflitos em Alagoas (2025)

A participação da CPT no evento traz à luz os dados consolidados do último relatório da instituição. Em 2025, Alagoas registrou 34 conflitos no campo, englobando disputas por terra e água. O número representa uma redução de 15% em relação ao ano anterior (40 ocorrências). Houve também queda no total de pessoas afetadas, que passou de 24.472 para 11.732 (diminuição de cerca de 52%). 

  • 34 Conflitos: Registrados em Alagoas em 2025 envolvendo disputas por terra e água, representando recuo quantitativo mas forte permanência estrutural.
  • 11.732 Pessoas: Afetadas pelas ocorrências agrárias no estado, número 52% menor que no ano anterior, refletindo mudanças na dinâmica territorial.

 Apesar da redução numérica dos indicadores, o levantamento da CPT demonstra que as tensões históricas continuam ativas. A disputa pela terra segue como o principal eixo dos conflitos agrários, atingindo acampamentos, comunidades quilombolas, territórios indígenas e áreas ocupadas por famílias posseiras.

O marco histórico da antiga usina Laginha e o cenário em Arapiraca

Entre os cenários que simbolizam a persistência da violência e da incerteza jurídica no estado, destacam-se as áreas da antiga Usina Laginha, localizadas em União dos Palmares. A região continua concentrando o maior número de conflitos em Alagoas, abrigando acampamentos como Sapucaia, Boa Vista, Nova Canaã, Jaelson Melquíades e Caipê II.

O impasse fundiário nessas terras ganhou ainda mais urgência após as recentes mobilizações de julho de 2026, quando movimentos populares se levantaram em Maceió contra a ameaça de despejo de cerca de cinco mil famílias que vivem nas usinas Laginha e Guaxuma, cobrando o cumprimento do acordo firmado em 2016 para a destinação dessas terras à Reforma Agrária Popular.

Outro ponto a ser abordado pela CPT é o crescimento do aparecimento de Arapiraca nos registros de conflitos por terra, evidenciado em áreas como a Comunidade Bananeira e o Acampamento Papa Francisco (Fazenda Laranjal), que aglutinam centenas de famílias Sem Terra.

 

Desafios para o futuro e defesa dos direitos

A CPT reforça que a diminuição conjuntural de indicadores em Alagoas, que inclui a queda nos conflitos por água e a ausência de registros pontuais de trabalho escravo no último ano, não anula a gravidade das violações estruturais.
A luta pela efetivação da reforma agrária, a proteção rigorosa dos territórios indígenas (como o povo Kariri-Xokó e Xucuru-Kariri) e quilombolas, e a garantia do acesso democrático à água permanecem como os grandes desafios para a sociedade e para o Estado brasileiro na defesa intransigente dos povos do campo, das águas e das florestas.

 

Programação 

A programação da Semana conta com exibições de filmes da campanha, debates, lançamento da campanha e visitas a territórios de resistência em diferentes municípios alagoanos. Confira:

Data e Horário Atividade Local

10 de agosto


• 19:00


• 19:30

Exibição do filme da Campanha Contra a Violência no Campo

Mesa de Debate: A Violência no Campo em Alagoas

IFAL – Campus Marechal Deodoro


(Realização: Observatório Alagoas do Sul / IFAL)

12 de agosto


• 08:40


• 14:00


• 19:00


• 19:00

Lançamento da Campanha Contra a Violência no Campo e Debate em sala de aula


Visita ao Acampamento Che Guevara


Exibição do filme da Campanha Contra a Violência no Campo


Mesa de Debate: Desafios da Violência no Campo no Brasil e em Alagoas (com Carlos Lima, coordenação nacional da CPT)

IFAL – Campus Piranhas (8h40)


Acampamento Che Guevara (14h)


UNEAL – Campus V, União dos Palmares (19h)

13 de agosto


• 19:00

Lançamento da Campanha Contra a Violência no Campo


Debate sobre a Violência no Campo em Alagoas (diálogo, formação e reflexão sobre conflitos agrários e direitos dos povos e comunidades tradicionais)

IFAL – Campus Piranhas

ServiçoO quê:Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo. Em defesa dos povos das águas, do campo e das florestas!Quando:De 10 a 14 de agosto de 2026.Onde: IFAL (Campus Marechal Deodoro e Campus Piranhas), UNEAL (Campus V - União dos Palmares) e Acampamento Che Guevara.Contato para pauta e informações: 
E-mail: Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo. | WhatsApp: (62) 9307-4305.
Em Maceió: (82) 99697-1000.

Defender os territórios é defender a vida. Participe!
 
 
Lara Tapety Pontes Cavalcanti
Ascom CPT/AL
(82) 99697-1000

 

Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Fone: (81) 3231-4445 E-mail: cpt@cptne2.org.br