Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Entre os dias 6 e 8 de maio, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) Nordeste 2 realizou, no Santuário das Comunidades, em Caruaru (PE), o Curso Regional de Agrofloresta, reunindo cerca de 40 participantes entre agentes pastorais, técnicos/as, camponeses/as de comunidades acompanhadas pela CPT em Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, além de integrantes do Santuário e de organizações parceiras.

Setor de comunicação da CPT NE2

Imagem: Edy Silva



Durante os três dias de atividade, os/as participantes compartilharam experiências, aprofundaram debates sobre os princípios da agrofloresta e colocaram as mãos na terra em diversas atividades práticas realizadas no Santuário das Comunidades, espaço que acolhe encontros de movimentos sociais, pastorais, organizações populares e comunidades eclesiais de base. De forma coletiva, foram construídas nucleações agroflorestais e canteiros de hortas, em um processo marcado pela troca de saberes e pelo aprendizado sobre recuperação do solo, importância da cobertura morta, fortalecimento da biodiversidade e outras práticas fundamentais para a preservação da vida e da natureza.

A formação contou com a contribuição de Antônio Gomides, do Crato (CE), que conduziu as atividades práticas ao longo dos três dias de curso. O agroflorestor destacou a importância do encontro e da troca de saberes entre os/as participantes. “É uma satisfação poder vir a este lugar, que vem cumprindo a missão de unir pessoas em prol da transformação do nosso mundo. Vim para me encontrar com os/as agricultores e agricultoras e trazer, de forma objetiva, algumas técnicas e tecnologias viáveis”, afirmou.

Para Plácido Junior, agente pastoral da CPT, “esse é um curso que envolve comunidades camponesas que estão na luta pela terra e pelo território, além de assentamentos da Reforma Agrária. O curso busca construir soluções concretas para as famílias que passam tanto tempo lutando pela terra e que buscam romper com o monocultivo e com o modelo do agronegócio”.

Para Benoni Codácio, a formação fortalece o trabalho já desenvolvido pela CPT nas comunidades. “Temos muito trabalho com quintais produtivos, especialmente conduzidos por muitas mulheres. Essas técnicas vão possibilitar melhorar nossas intervenções nas comunidades”, ressaltou. Maria Gorete, agricultora participante do curso, também destacou a importância da formação. “Vou levar esses conhecimentos para a minha comunidade”, afirmou.

O curso foi encerrado com a expectativa de que novas ações formativas possam ser realizadas como estratégia urgente para fortalecer e ampliar os modos de produção camponês, agroecológico e agroflorestal diante dos impactos provocados pelo avanço do agronegócio, marcado pela destruição ambiental, pela concentração de terra e pela violência contra os povos do campo. Foi um espaço de formação, de partilha, de aprendizados e, especialmente, de construção coletiva e fortalecimento da resistência camponesa e da agrofloresta.

 

Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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