Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Nas fazendas Santa Rosa, Poço e Santana, localizadas no município de Barra de São Miguel, estado da Paraíba, vivem dezenas de famílias de posseiros que lutam pela desapropriação dos imóveis. As fazendas pertenciam ao pernambucano Agrimar Leite e foram beneficiadas com projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), no processo de expansão da Algaroba na região no início da década de 1990. Em 2009, o Sr. Agrimar repassou a fazenda Poço ao Sr. Ademar de Farias e ao seu filho, Antônio de Ademar, como pagamento de uma dívida existente entre as partes. A primeira providência dos novos proprietários foi pressionar os camponeses posseiros a desocuparem o imóvel. As famílias não concordaram em deixar o local como queriam os proprietários, porque moravam e produziam na terra e não aceitavam perder suas benfeitorias, como os roçados, barracos, currais, energia elétrica etc. Além do mais, havia um pedido de vistoria em curso junto ao Incra, feito com apoio da CPT. Nesse ínterim, o Sr. Ademar entrou na justiça com um pedido de reintegração de posse, mas enquanto seu pedido não era julgado, continuava a pressão contra as famílias. Em 2010, o Incra realizou a vistoria na propriedade e, a partir daí, o clima ficou ainda mais tenso entre a comunidade e os proprietários. Como consequência, intensificaram-se a pressão e as ameaças por parte dos proprietários que se utilizaram até da força policial para intimidar os camponeses e camponesas. Em setembro do mesmo ano, o INCRA concluiu o laudo de vistoria do imóvel considerando-o improdutivo. Em novembro, a procuradoria do órgão conseguiu suspender a ordem de despejo contra a comunidade de posseiros, solicitada por Ademar. Com a decisão, as ameaças se intensificaram mais uma vez e no dia 12 de novembro de 2012, a liderançaJorge Aleixo da Cunha foi assassinado com dois tiros, em uma estrada próxima à fazenda Poço, quando voltava para casa. Não bastasse o episódio, no dia 24 de dezembro, quando as famílias acampadas saíram para visitar seus parentes, todos os barracos foram queimados durante a madrugada. Pessoas armadas foram colocadas no interior da fazenda com o intuito de pressionar os/as posseiros/as a desocuparem o imóvel, fato que acabou acontecendo, pois os mesmos temiam por sua segurança. A luta pela desapropriação continuou mesmo fora da terra. Em 2015, houve a imissão de posse que posteriormente foi suspensa pelo juiz da 11ª Vara do TRF em Monteiro/PB. Atualmente, as famílias ainda continuam resistindo na área e produzindo alimentos.