Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

A Fazenda Salgadinho está localizada no município de Mogeiro, região do agreste paraibano. No local, aproximadamente 50 famílias posseiras vivem há mais de seis décadas produzindo alimentos diversificados. Em 25 de junho de 2007, a proprietária do imóvel, Senhora Maria Luiza, de forma autoritária e sem diálogo mandou destruir as roças das famílias posseiras para plantar capim e alimentar seu gado. Diante da situação, as famílias decidiram resistir e impedir o avanço do plantio do capim e a destruição das roças. Pediram o apoio às comunidades vizinhas, como a do assentamento Dom Marcelo Pinto Cavalheira e a do assentamento Padre João Maria que, por sua vez, orientaram as famílias a buscarem o apoio da CPT. Com esse apoio, a comunidade encaminhou ao Incra um pedido de vistoria da propriedade. Ao tomar ciência do pedido de vistoria, a proprietária aumentou o efetivo de seguranças privados, intensificando a violência e fazendo com que muitos camponeses e camponesas, intimidados, fossem embora da comunidade. As famílias que decidiram resistir passaram a sofrer muitas atrocidades cometidas pela proprietária. Certo dia, um grupo de trabalhadores estava trabalhando em mutirão quando foi surpreendido pelo senhor César Lima, esposo da proprietária, acompanhado de capangas que atiraram contra os camponeses. Esses, revoltados, defenderam-se e reagiram da forma como puderam. A Polícia foi acionada pelos trabalhadores. César Lima e os capangas foram enquadrados por porte ilegal de arma e ficaram detidos por 12 horas e 48 horas, respectivamente. Recentemente, a proprietária propôs um acordo para as famílias resistentes, impondo a condição de não envolver a CPT. A comunidade, por sua vez, fez uma contraproposta que não foi aceita pela proprietária, o que culminou com o pedido de reintegração de posse. Para evitar a expulsão das famílias, a CPT entrou com um recurso jurídico requerendo o reconhecimento da manutenção da posse das famílias no Tribunal de Justiça da Paraíba, o que foi concedido pela justiça. No mês de marco de 2018, a senhora Maria Luiza vendeu uma parte do imóvel e o novo proprietário decidiu cercar a área adquirida. A comunidade novamente se reuniu e proibiu a realização do serviço. Atualmente, as famílias ainda enfrentam ameaças de despejo, porém, seguem resistindo ecom uma grande produção de alimentos.

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