Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

No ano de 2015, várias famílias se reuniram no município de Sertânia, no sertão de Pernambuco, com o objetivo de lutar por terra e água. Essas famílias, que naquele tempo chegavam a quase 100, resolveram deixar suas vidas de meeiros e de trabalhadores explorados em busca do sonho da terra prometida. Montaram, então, um acampamento na Fazenda Fortaleza, próxima ao canal da Transposição do Rio São Francisco, ao lado da BR que liga Sertânia ao estado da Paraíba. Ali, as famílias construíram barracas de lona e passaram a viver com os mesmos objetivos. O acampamento se tornou espaço de histórias de vida e de troca de experiências. Por estar localizado no coração do eixo leste da transposição do Rio São Francisco, o acampamento passou a ser alvo de conflitos com proprietários das terras e com o próprio governo. Em 2016, o acampamento serviu de espaço para abrigar um grande encontro que reuniu mais de 100 jovens camponeses do estado de Pernambuco. Foi um momento de alegria e de esperança para aquele povo que passava pelos seus primeiros conflitos com a capangagem e com as ameaças de despejo. Cada história contada alimentou a luta e fez acreditar em dias melhores. No início de 2018, toda a plantação de palma das famílias foi destruída pelo gado de proprietários da vizinhança, que adentrou no acampamento. De acordo com as famílias acampadas, a soltura do gado nas lavouras foi uma estratégia de ameaça dos fazendeiros da região para expulsá-las da área. Além dos conflitos com fazendeiros da região, as famílias também foram e ainda são impedidas pelo governo de usarem a água do canal da transposição do Rio São Francisco, que corta a fazenda ao meio. A ocupação na Fazenda Fortaleza é mais uma das muitas lutas que são travadas na região. Três anos depois da ocupação, as famílias ainda continuam lutando, firmes e fortes na perspectiva de uma terra sem males.  Essa luta pela terra e, porque não, luta pela água ganha traços de transformação da realidade na vida das famílias camponesas que sonham com a conquista da terra. Muita coisa continua ainda como está: Incra moroso, falta de vontade política, falta de políticas públicas para as famílias acampadas, falta de incentivos etc. Mas eles continuam de pé, de enxada na mão, plantando com a chuva que volta a reinar no sertão. As famílias não sabem onde essa luta vai dar, mas sabem que estão lutando por um sonho, por outro mundo, sem cerca, sem desigualdade e com vida digna.

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