Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Pernambuco

Em Sirinhaém, Usina Trapiche destrói toda a lavoura de família camponesa

Eram 9hrs da manhã do dia 20 de novembro quando a agricultora e pescadora tradicional Maria de Nasareth caminhava indignada em direção à sua roça para ver com os próprios olhos o que lhe haviam avisado. Localizado em terras da União, no município de Sirinhaém, litoral sul de Pernambuco, o roçado de 3 ou 4 contas, repleto de macaxeira, mandioca, feijão, milho e maxixe, havia sido completamente destruído por funcionários de uma das maiores empresas do setor sucroalcooleiro do Nordeste, a Usina Trapiche.

Ao ver toda a sua plantação revirada, Maria de Nasareth revoltou-se: “A Usina arrancou a comida da boca da minha família” comentou a trabalhadora, que ainda costuma partilhar os alimentos com outras famílias e trabalhadores/as em situação de fome na região.  No mesmo dia em que presenciou a destruição da Usina Trapiche, Maria de Nasareth dirigiu-se até a Delegacia do Município de Sirinhaém para prestar queixa do crime.

De acordo com testemunhas, no dia 18 de novembro, por volta das 7hrs, cerca de três funcionários da empresa utilizaram um trator para revirar toda a lavoura da agricultora e pescadora tradicional, enquanto ela estava em outro município comercializando seus alimentos. Ainda segundo informações locais, os funcionários estavam armados e dispararam tiros ao alto enquanto destruíam os alimentos.

Agentes da Comissão Pastoral da Terra, que estiveram presentes em Sirinhaém para averiguar a destruição e acompanhar Nasareth à delegacia, afirmam que os prejuízos causados à trabalhadora são incalculáveis. É que a lavoura destruída está localizada em uma área onde Maria de Nasareth nasceu e se criou, além de este não ser o primeiro episódio de violência provocado pela Usina contra a trabalhadora.

É extenso o histórico de violência praticada pela empresa Trapiche contra a família de Maria de Nasareth e também contra outras cerca de 50 famílias que, juntas, formavam uma comunidade tradicional que viviam em área da União, controlada pela Empresa. Um amplo dossiê, com a sistematização das práticas nefastas da Usina, foi elaborado pela CPT recentemente e encontra-se disponível no link: http://www.cptne2.org.br/downlo…/…/dossie_sirinhaem_isbn.pdf

 

Veja o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=kK4qpskWVPs&feature=youtu.be

 

 

 

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