Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

 Aconteceu no município de Cabaceiras/PB, entre os dias 11 e 13 de outubro de 2019, o Festival das Juventudes Arte e Cultura - Participação social protagonismo e autonomia juvenil. Participaram do Festival 400 jovens do campo e da cidade dos estados da Paraíba e Ceará. O objetivo da ação foi estimular a participação social das juventudes, subsidiando-as nos temas de incidências políticas, conquistas sociais e de espaços de representação. O Festival foi organizado pela Rede de Educação Cidadã (RECID), da qual a Comissão Pastoral da Terra da Paraíba faz parte. A seguir, leia a Carta final do Festival.

 

Cabaceiras, 13 de Outubro de 2019.

Não existe espaço vazio! A juventude que ousa ocupar, constrói uma Política Popular. Em todo o sempre se ecoam as necessidades de unir Juventudes! Articular espaços para alimentar sonhos é uma necessidade humana. Momentos de encontros sempre foram ferramentas primordiais nos processos de transformação do eu e da sociedade; neles se tecem redes e alimentam a esperança em momentos difíceis.

É no sol quente da Roliuide Nordestina, Cabaceiras/PB, que nós, jovens da Paraíba e Ceará, reconhecemos mutuamente, potências e limites, celebramos nossas existências e emanamos liberdade e amorosidade enquanto prática da conservação do bem. Vivemos um contexto político, econômico e social que ameaça e extermina nossos sonhos e nossas vidas, nos impondo a sofrer as diversas formas de durezas e desafios para a dignidade.

É urgente a necessidade de subverter essa ótica! Clamamos que valorem e festejem com cada jovem do campo, cada jovem da cidade que se reconhece e se refaz enquanto negro/a, enquanto quilombola, enquanto indígena, enquanto LGBTQI+, enquanto mulher e enquanto homem. Romper perspectivas, emancipar movimentos! Isso não tem a ver com ignorar dores, mas com regar sonhos e fazer valer o direito de existir e ser feliz! A ênfase na experimentação da felicidade, funciona como ação de energização e viável revolução.

Como bem nos ensina o poeta angolano Kafalaf Epalanga “Nossas independências foram feitas por poetas”. O acreditar nessa metodologia produz processos de mobilização que acendem o desejo de transformação. As experiências vivenciadas pelas juventudes é um celeiro de acolhimento e resistência que habita dentro de cada um/a de nós. É sempre tempo de festejar, acolher, promover, proteger, resistir, ressignificar e agradecer. E não se trata de pedir espaço, fala ou qualquer coisa do tipo. Nossa voz é propositiva e não somente reativa! Estamos construindo, no campo e na cidade, um projeto societário que festeje nossas vidas. Vidas Negras, Vidas LGBTQI+, Vidas Mulheres, Vidas Quilombolas, Vidas Agricultoras, Vidas Indígenas, Vidas ocupantes de todos os espaços.

Queremos viver nas diversas realidades em que estamos inseridas/as e reafirmamos a necessidade de sermos vistos/as e escutados/as Compreendemos que é dever do Estado garantir nossos direitos (considerado as diversas realidades) no que tange: A uma segurança pública que não mate pretos, mulheres, LGBTQI+ e pobres; a uma educação pública, contextualizada e de qualidade; a uma saúde preventiva e popular; a uma política de trabalho e geração de renda digna; a uma política de esporte e lazer para promoção da saúde. Queremos continuar participando na construção de uma política mais humana mais, alegre, mais jovem. Continuaremos a importar pra nós mesmos, nos reconhecendo, nos respeitando em nossas especificidades, celebrando e dançando enquanto reafirmamos ao mundo que a rebeldia e esperança é o ritmo que nos mantém na luta!

“Quando a Juventude se Junta o Poder se Espalha”

 

 

ANEXO – Demandas do estado do Ceará

O que dizemos e o que queremos!

✓ Uma educação emancipadora que dialogue e reconheça as diversidades, as identidades subjetivas, que leve-se em conta as vulnerabilidades sociais e humanas; pensar formação dos profissionais da educação que contribua com esse processo;

✓ Não abrimos mão da educação que inclua as pautas LGBTQI, das mulheres, da juventude negra; considerar um pedagogia para o espaço camponês;

✓ Repudiamos a militarização da polícia e das escolas (assumida pelo governador);

✓ Denunciamos a exclusão das escolas profissionalizantes com seus processos de seleção extremamente excludente e punitivo; contextualização das escolas e processo sócio-educativos urbanos e rurais;

✓ Políticas para as juventudes que considere os seus direitos humanos;

✓ Efetivação, reconhecimento e fortalecimento de Políticas Públicas para quilombolas que hoje está plenamente desassistida;

✓ Considerar, fortalecer o cunho político pedagógico do Projeto Superação; construí-lo com os movimentos sociais, sobretudo da juventude; considerando a identidade camponesa, pensando e construindo o processo para essa juventude;

✓ Uma política de segurança (considerando seu projeto) que pense o jovem, sobretudo o jovem negro, um sujeito político e de política; opressor, punitivo; repudiamos o RAIO;

✓ Ambulatório para pessoas Transexuais e travestis;

✓ Ala LGBTQI nos presídios

✓ Pautar o estado numa processo de correlação de forças que imprima nossas necessidades específicas;

✓ Reabertura das escolas do campo;

✓ Qualificação profissional para as juventudes considerando suas especificidades;

✓ Qualificação da oferta, acesso e processos esportivos, considerando, sobretudo os jovens periféricos e rurais;

✓ Implantar e implementar cursos de formação para as juventudes que estão nos espaços de associações.

 

  

ANEXO – Demandas do estado Da Paraíba

O que dizemos e o que queremos!

✓ Rearticulação Conselhos;

✓ Segurança no Campo;

✓ Proteção Comunidades LGBTQI+;

✓ Proteção Juventude Negra;

✓ Políticas Públicas as Juventudes LGBTQI+;

✓ Política de Geração e Renda;

✓ Políticas de Acesso à Terra, Produção, Comercialização (GPRs, PNAE, PEAA, Feiras Agroecológicas, DAPs.);

✓ Cotas para jovens camponeses no ensino superior;

✓ Currículo contextualizado e do campo-Fortalecer identidade camponesa;

✓ Representatividade das juventudes nas secretarias;

✓ Informações sobre as políticas públicas. Como está sendo constituído o plano?

 

 

Jovens participantes do Festival de Juventudes Arte e Cultura 

 Cabaceiras/PB, outubro de 2019