Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

A Comissão Pastoral da Terra e organizações da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) do Curimataú estiveram presentes na audiência pública sobre "Educação do Campo e fechamento das escolas rurais", realizada nessa quarta-feira, dia 10 de junho, na Câmara Municipal de Cuité, na Paraíba. A audiência também contou com a participação de representantes de comunidades do município e de pessoas de cidades vizinhas.

Na ocasião, foram apresentadas as motivações jurídicas e pedagógicas que levaram à criação da Campanha estadual "Fechar escolas do campo é crime". A Campanha, lançada em 2018, tem como objetivo partilhar informações com as comunidades camponesas sobre os direitos de acesso à educação do campo, de qualidade e gratuita, além de pensar estratégias conjuntas para evitar o fechamento dessas escolas. A iniciativa visa ao fortalecimento da articulação em defesa de uma educação do campo libertadora e que respeite o modo de vida camponês, bem como seus agroecossistemas.

   

A Audiência também foi um momento de denúncia por parte dos camponeses e das camponesas presentes. Na ocasião, parlamentares sensíveis à pauta também apresentaram suas preocupações com a situação das escolas rurais em Cuité. A Campanha "Fechar escolas do campo é crime" aponta um conjunto dos impactos que são causados às crianças e às comunidades com o fechamento das escolas do campo. Entre algumas preocupações mais recorrentes estão a falta de segurança no transporte para as cidades, a impossibilidade dos pais e mães acompanharem a rotina escolar nos centros urbanos, e a constatação de que as escolas urbanas não respondem às necessidades da população camponesa, nem possui estrutura para receber todos os/as estudantes oriundos de escolas rurais fechadas. Em tal contexto, a interrupção dos estudos pode acabar sendo a consequência para a população camponesa.

Por que lutar pela educação do campo?

Há algumas décadas, comunidades camponesas, organizações populares e movimentos sociais passaram a empreender uma jornada em defesa do direito à “educação do campo”. A luta se deu pelo reconhecimento de que, em muitas situações, as escolas presentes no meio rural vinham transplantadas da cidade. Quando chegavam no campo, traziam uma carga inadequada, um currículo inadequado, além de serem, muitas vezes, preconceituosas por não respeitar os saberes, a cultura e o povo camponês.

O método de educação do campo é resultado de elaborações, formulações e acúmulos dessas organizações e tem como referência o patrono da educação brasileira, Paulo Freire. A proposta pedagógica da educação do campo e das escolas rurais, alvos de fechamento, se inspira, portanto, em experiências de educação popular e na pedagogia do oprimido. Possuem como princípio a valorização dos conhecimentos específicos do povo do campo e visam ao fortalecimento de seus territórios e da agricultura camponesa. A educação do campo se contrapõe à mercantilização da cultura e dos sabres e defende o fortalecimento de relações humanas justas e da cultura camponesa.  “É preciso que não nos calemos diante da opressão e sigamos firmes, na luta por uma educação do campo, no campo e contextualizada”, ressalta Vanúbia Martins, da Comissão Pastoral da Terra.

 

 

Fonte: CPT Equipe Campina Grande