Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

 Na manhã dessa quinta-feira, 12/05, a milícia do Complexo Portuário de Suape, em conjunto com a Polícia Militar, destruiu a casa de uma antiga moradora do Engenho Massangana, localizado no município do Cabo de Santo Agostinho/PE. Segundo informações locais, a PM agiu de maneira truculenta e chegou a agredir o presidente da associação de moradores do engenho, que estava no local para impedir a destruição.  


Josefa de Lourdes do Nascimento, que nasceu e se criou no Engenho, sofreu uma reintegração de posse, ajuizada por Suape em outubro de 2015. No entanto, o caso correu à completa revelia da família, pois a moradora não tinha conhecimento de que estava sendo alvo de um processo judicial. A moradora também informou não ter recebido nenhuma indenização pela destruição da sua casa.

A moradia de Josefa de Lourdes estava localizada em uma área que foi desapropriada pelo Incra, ainda  na década de 1960, sendo repassada para a Cooperativa Tirirí com a finalidade de assentar as famílias camponesas que lá já residiam. No entanto, poucas horas após do repasse, a Cooperativa Tirirí transferiu a área para Suape, em um processo de compra e venda ilegal, que hoje é amplamente questionado pelas famílias camponesas e por organizações sociais que acompanham o caso. 

Ainda de acordo com informações locais, Suape age de modo violento e intimidatório quase que cotidianamente contra os antigos moradores dos Engenhos que atualmente estão sob o domínio da empresa. Um dos episódios mais recentes ocorreu na semana passada, quando funcionários de Suape destruíram fruteiras e parte da mata nativa existente no Engenho Massangana. O crime foi denunciado pelo Fórum Suape à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS).

Assista abaixo ao vídeo gravado por José Farias da Silva sobre o caso:

https://www.youtube.com/watch?v=Qr4z1od-igQ