Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

No ano de 1986, cerca de 23 famílias que viviam há décadas na Fazenda Serra dos Mares, localizada no município de Iati/PE, foram expulsas do local de forma violenta pelo proprietário do imóvel. No mesmo ano, as famílias decidiram voltar às terras em que viviam por meio de uma ocupação. Mas, o proprietário moveu a Justiça e a polícia para despejar novamente os camponeses e camponesas, o que foi feito com a costumeira violência: tiros, incêndio de barracas, quebra dos potes d’água e panelas de comidas das famílias, além de ameaças e perseguições.

Com o apoio da Diocese de Garanhuns e da Comissão Pastoral da Terra, a comunidade de Serra dos Mares se articulou com outras famílias camponesas que também viviam em situação de conflito no estado de Pernambuco. Juntas, denunciaram a situação ao Incra e ao governo do estado e participaram de marchas e caminhadas. Em abril daquele mesmo ano, as famílias despejadas acamparam em frente ao Palácio do Governo com mais outras 169 comunidades. O acampamento durou 6 meses e, como resultado, alguns conflitos da Mata Sul, da Mata Norte e da Região Metropolitana do Recife foram solucionados.

A Região do Agreste Meridional, que possuía 12 comunidades em situação de conflito por terra, teve somente um imóvel desapropriado para fins de Reforma Agrária: Serra dos Mares. Hoje, o local chama-se Assentamento São Francisco da Serra dos Mares. Nele, aproximadamente 43 famílias residem, produzem lavouras e criam animais de pequeno porte.

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