Conflitos PB

Conflito de Mutirão – Riacho dos Cavalos, Paraíba.

A luta pela terra em Mutirão aconteceu às margens do açude público de Riacho dos Cavalos. Em torno de 100 famílias resolveram resistir na luta pela terra e pela água, desobedecendo a ordem de expulsão do Estado. Era comum a violência por parte dos técnicos da EMEPA, que destelhavam casas, arrancavam portas e destruíam plantações. Aconteceram, ainda, inúmeros despejos. Hoje as famílias, devido a sua organização e teimosia, ainda vivem no

1995 Ocupação da Fazenda Acauã – Aparecida, Paraíba

A ocupação da fazenda Acauã em dezembro de 1995 representou o início das ocupações de latifúndios improdutivos no Alto Sertão da Paraíba. Essa luta foi muito significativa para a constituição dos assentamentos de reforma agrária na região, pois impulsionou a luta e encorajou milhares de famílias a ocupar, resistir e conquistar a terra. A ocupação do latifúndio foi como um grande ato litúrgico, a luta do povo de Deus pela terra prometida, partiu da necessidade das famílias em conquistarem terra, água e pão. O processo de luta foi de muita resistência, acontecendo 06 despejos e 07 prisões. Dentre os presos estavam 02 alemães que visitavam a área e 05 agentes da Comissão Pastoral da Terra. A estratégia do proprietário era mandar prender toda a Equipe da CPT para acabar com o Conflito. Contudo, apesar de toda a repressão as famílias conseguiram a desapropriação do imóvel.

Conflito de Recanto – Jericó, Paraíba.

A luta pela terra em Recanto aconteceu às margens do açude público denominado de Carneiro, localizado no município de Jericó. Com a construção do açude famílias que moravam na área foram expulsas, sem direito à indenização – recebida por Cleto Pereira, latifundiário da região. Com o apoio da CPT e das Irmãs da região de Jericó as famílias decidiram resistir. Essa luta foi marcada por muita resistência e animação à luz do evangelho. Durante o conflito aconteceram despejos, prisões de 10 trabalhadores e tiros efetuados pelo ex-proprietário contra os camponeses. Hoje os/as trabalhadores conquistaram a concessão de uso da área.

2009 Conflito na Fazenda Poço

Nas fazendas Santa Rosa, Poço e Santana, localizadas no município de Barra de São Miguel, estado da Paraíba, vivem dezenas de famílias de posseiros que lutam pela desapropriação dos imóveis. As fazendas pertenciam ao pernambucano Agrimar Leite e foram beneficiadas com projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), no processo de expansão da Algaroba na região no início da década de 1990. Em 2009, o Sr. Agrimar repassou a fazenda Poço ao Sr. Ademar de Farias e ao seu filho, Antônio de Ademar, como pagamento de uma dívida existente entre as partes. A primeira providência dos novos proprietários foi pressionar os camponeses posseiros a desocuparem o imóvel. As famílias não concordaram em deixar o local como queriam os proprietários, porque moravam e produziam na terra e não aceitavam perder suas benfeitorias, como os roçados, barracos, currais, energia elétrica etc. Além do mais, havia um pedido de vistoria em curso junto ao Incra, feito com apoio da CPT. Nesse ínterim, o Sr. Ademar entrou na justiça com um pedido de reintegração de posse, mas enquanto seu pedido não era julgado, continuava a pressão contra as famílias. Em 2010, o Incra realizou a vistoria na propriedade e, a partir daí, o clima ficou ainda mais tenso entre a comunidade e os proprietários. Como consequência, intensificaram-se a pressão e as ameaças por parte dos proprietários que se utilizaram até da força policial para intimidar os camponeses e camponesas. Em setembro do mesmo ano, o INCRA concluiu o laudo de vistoria do imóvel considerando-o improdutivo. Em novembro, a procuradoria do órgão conseguiu suspender a ordem de despejo contra a comunidade de posseiros, solicitada por Ademar. Com a decisão, as ameaças se intensificaram mais uma vez e no dia 12 de novembro de 2012, a liderançaJorge Aleixo da Cunha foi assassinado com dois tiros, em uma estrada próxima à fazenda Poço, quando voltava para casa. Não bastasse o episódio, no dia 24 de dezembro, quando as famílias acampadas saíram para visitar seus parentes, todos os barracos foram queimados durante a madrugada. Pessoas armadas foram colocadas no interior da fazenda com o intuito de pressionar os/as posseiros/as a desocuparem o imóvel, fato que acabou acontecendo, pois os mesmos temiam por sua segurança. A luta pela desapropriação continuou mesmo fora da terra. Em 2015, houve a imissão de posse que posteriormente foi suspensa pelo juiz da 11ª Vara do TRF em Monteiro/PB. Atualmente, as famílias ainda continuam resistindo na área e produzindo alimentos.