Em 2001, aproximadamente cem famílias sem-terra que viviam em condições de extrema pobreza nos municípios de Iguaracy, São José do Egito, Tuparetama e de sítios circunvizinhos, localizados no sertão de Pernambuco, decidiram se reunir e mudar de vida.

Com o apoio da CPT, as famílias começaram a se organizar para reivindicar a vistoria de uma das fazendas da região, denominada Socorro, localizada no município de Iguaracy. Para pressionar o Incra, realizaram uma ocupação em uma área vizinha à fazenda e, apesar de não estarem na propriedade, os trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra passaram a sofrer perseguições e ameaças por parte dos donos da Fazenda Socorro.

No final de 2001, os/as trabalhadores ocuparam de fato a Fazenda Socorro, tendo recebido ordem de despejo no início de 2002. Ao desocuparem a propriedade, as famílias voltaram à antiga ocupação. No início de 2003, as famílias ocuparam novamente as terras da Fazenda, mas foram despejadas pela segunda vez. Apesar de vivenciarem dois despejos seguidos, os/as sem-terra não desistiram de lutar. A área foi considerada improdutiva pelo Incra e, em 29 de dezembro de 2003, foi publicado o decreto de desapropriação do imóvel. No ano seguinte, os proprietários ainda tentaram na justiça anular o decreto de desapropriação, sem sucesso.

Atualmente, os trabalhadores e trabalhadoras moram na área, que hoje é chamada de assentamento Dom Francisco. Vivem em casas que deram lugar às antigas barracas de lona preta e produzem e criam animais de pequeno porte para o autoconsumo e para a comercialização em freiras locais.